passo a passo, obrigações e dicas


Está em busca de entender como abrir uma empresa? Você faz parte de um grupo formado por cerca de 47 milhões de brasileiros que desejam ter o próprio negócio em um futuro próximo, segundo levantamento realizado pelo Sebrae. Falamos de cerca de metade da população adulta do país.

Transformar uma ideia em um negócio próspero vai muito além de ter um bom produto ou serviço. É preciso entender as implicações legais, tributárias e operacionais. Fizemos este guia justamente para te orientar em cada etapa do processo, desde o planejamento inicial até a formalização definitiva.

Por que abrir empresa formalmente?

A formalização empresarial é uma obrigação legal e uma estratégia básica para a sustentabilidade e crescimento de qualquer negócio.

Sim, o empreendedorismo no Brasil é envolto por desafios reais que vão do conhecimento geral limitado sobre gestão empresarial à complexidade tributária (que, vale ressaltar, não se aplica à realidade de quem é MEI – Microempreendedor Individual.

Um estudo realizado pela TMF Group, consultoria de serviços de compliance, apontou o Brasil como o país mais complexo para empreender. Contudo, cabe ponderar sobre o que disse o diretor geral da TMF, Rodrigo Zambon:

“Os desafios que aparecem ao operar aqui podem ser desencorajadores a princípio, mas com tudo que o país tem para oferecer, este estado mental muda rapidamente para aqueles que estejam buscando boas oportunidades de investimento”.

Em suma, é importante formalizar a empresa para não operar na ilegalidade, ficar sujeito à multas e outras penalidades, além de limitar as possibilidades de crescimento do negócio.

Vantagens para a gestão de pessoas, RH e DP

Formalizar a empresa significa ter um CNPJ ativo ― o que vale para MEI, ME, EPP e outros empreendimentos. Para a gestão de pessoas, isso se traduz em uma série de benefícios, como:

  • possibilidade de contratação legal de funcionários, ou seja, a contratação com carteira assinada ― o que reduz o risco de pejotização (gestão inadequada dos contratos de prestação de serviços de profissionais PJ);
  • participação em programas governamentais como Jovem Aprendiz e contratação de estagiários ― o que dá à empresa a oportunidade de formar talentos para seu quadro de funcionários e acesso a benefícios fiscais;
  •  possibilidade de oferecer benefícios corporativos, planos de desenvolvimento e carreira ― algo que contribui para elevar a atração e retenção de talentos;
  • garante mais proteção jurídica ― promovendo a redução de riscos trabalhistas através do cumprimento adequado da legislação.

Além disso, é importante salientar que ter um negócio formal é o que permite que os profissionais de RH e DP atuem para que a empresa esteja sempre em conformidade com as regras.

O que envolve, por exemplo, o cumprimento das obrigações trabalhistas, como o recolhimento correto de FGTS, INSS e demais encargos,  assim como o cumprimento de obrigações acessórias, como a entrega correta de RAIS, CAGED, eSocial e outras declarações.

Riscos de operar sem formalização

Ainda, como mencionamos, a falta de formalização deixa você e seu negócio expostos a riscos significativos, além de reduzir suas oportunidades de crescimento. Veja só:

  • multas e penalidades: fiscalizações podem resultar em multas pesadas e fechamento do estabelecimento, algo que pode ocorrer em decorrência da contratação de funcionários sem carteira assinada;
  • problemas trabalhistas: o trabalho informal também pode gerar ações judiciais que resultem em perdas financeiras e prejudiquem a reputação da empresa e sua capacidade de atrair novos talentos;
  • ausência de proteção previdenciária: operar sem formalização faz com que você deixe de contribuir de forma adequada com o INSS, colocando em risco sua própria aposentadoria;
  • dificuldade de crescimento: negócios informais nem sempre conseguem acesso ao crédito (empréstimo bancário), fechar contratos com grandes empresas e ficam impossibilitadas de participar de licitações;
  • falta de credibilidade: a condição impõe dificuldades para conquistar clientes e fornecedores de maior porte.

Como abrir empresa: passo a passo

como abrir empresa - passo a passocomo abrir empresa - passo a passo

Agora que você sabe que o ideal ao abrir uma empresa é buscar a formalização, confira as etapas do processo a partir do planejamento, burocracias e custos envolvidos.

1. Planejamento e estruturação

Não dá para falar sobre como abrir empresa com sucesso e sustentabilidade sem falar da importância do planejamento.

Essa etapa inicial envolve desde a análise detalhada do mercado até a estruturação dos setores essenciais do negócio. Ainda, reduz riscos, otimiza recursos e aumenta as chances de sucesso

Faça uma análise de mercado

O primeiro passo a favor da sustentabilidade de um negócio é saber se sua ideia de empreendimento é viável. Isso envolve analisar o mercado que você pretende atuar para ver se existe demanda e qual a realidade do setor. Considere fazer:

  • pesquisa de concorrência: identifique seus principais concorrentes, analise seus preços, produtos/serviços e estratégias;
  • análise do público-alvo: defina claramente quem são seus clientes ideais, suas necessidades e comportamentos de consumo;
  • estudo de viabilidade econômica: calcule a demanda potencial e a capacidade de geração de receita;
  • análise de tendências: identifique oportunidades e ameaças no setor;
  • pesquisa de localização: se aplicável, estude a melhor localização para seu negócio.

Desenvolva um plano de negócios

O fundador da InMerc Escola de Negócios, Natal Pinto, destaca a falta de um plano de negócios como principal risco para o futuro de um empreendimento. Definir como a empresa deve funcionar e ter uma visão estratégica clara orienta cada ação, inclusive diante de eventuais dificuldades.

Um bom plano de negócios deve incluir:

  • resumo executivo: visão geral do negócio e seus objetivos;
  • descrição da empresa: missão, visão, valores e proposta de valor;
  • análise de mercado: dados coletados na etapa anterior;
  • organização e gestão: estrutura organizacional e perfil da equipe;
  • produtos/serviços: descrição detalhada do que será oferecido;
  • marketing e vendas: estratégias para atrair e reter clientes;
  • projeções financeiras: demonstrativos de resultado, fluxo de caixa e balanço patrimonial projetados;
  • solicitação de financiamento: se aplicável, valores necessários e como serão utilizados.

Verifique a viabilidade e escolha o ramo da atividade (CNAE)

CNAE é sigla para Classificação Nacional de Atividades Econômicas, uma classificação que deve ser feita com base na atividade principal da sua empresa. Essa escolha impacta diretamente:

  • regime tributário aplicável;
  • alvarás e licenças necessários;
  • obrigações específicas do setor;
  • possibilidade de enquadramento no Simples Nacional.
Como escolher o CNAE da empresa?

A escolha do CNAE é estratégica porque define as possibilidades de atuação da sua empresa e pode influenciar alguns tributos. Para uma definição adequada, você deve:

  1. Acessar o site do IBGE e consultar a tabela completa de CNAEs (caso você queira ser MEI, também pode fazer a consulta das ocupações permitidas no portal gov.br);
  2. Identificar a atividade principal, ou seja, a que gerará maior receita para seu negócio;
  3. Listar as atividades secundárias que também serão desenvolvidas;
  4. Consultar um contador para validar a escolha e verificar implicações tributárias;
  5. Verificar eventuais restrições locais tendo em mente que alguns municípios têm limitações para determinadas atividades.

Contrate um contador

A abertura do MEI, em específico, é um processo simples que pode ser feito 100% online e por conta própria. Contudo, é importante tirar dúvidas com especialistas caso necessário.

Nos demais casos, a contratação de um contador qualificado se torna essencial para quem busca entender como abrir empresa corretamente. O profissional contábil será responsável por:

  • orientar sobre o melhor tipo de empresa para sua situação;
  • escolher o regime tributário mais vantajoso;
  • elaborar o contrato social e demais documentos;
  • acompanhar o processo de abertura;
  • fazer a gestão das obrigações fiscais após a abertura;
  • realizar o planejamento tributário para otimização de impostos e redução de custos.

Abra uma conta bancária empresarial e defina o capital social

Em muitos dos casos, a formalização de uma empresa demanda a abertura de uma conta PJ e a boa notícia é que vários bancos oferecem esse serviço com condições interessantes. Há até instituições que trabalham somente com esse tipo de conta.

Em todo caso, a orientação é:

  • pesquisar diferentes bancos e suas condições;
  • comparar tarifas e serviços oferecidos;
  • verificar a necessidade de movimentação mínima;
  • analisar os produtos disponíveis (cartões, crédito, investimentos).

Sobre o capital social, entenda que falamos sobre o valor que você ou você e seus sócios vão investir para abrir a empresa. Para definir a quantia, é recomendado:

  • calcular os investimentos iniciais necessários: equipamentos, estoque, reformas, capital de giro;
  • considerar as responsabilidades dos sócios (caso existam): o capital social pode limitar a responsabilidade em alguns tipos de empresa;
  • avaliar necessidades futuras: possíveis expansões ou investimentos adicionais;
  • consultar seu contador: para entender as implicações tributárias e legais.

O capital social pode ser pode ser composto por dinheiro, bens (como imóveis) e outros direitos de valor econômico. Existe para mostrar que você ou você e seus sócios têm condições de arcar com os custos da empresa.

Além disso, funciona como um indicador de confiança para o mercado e é um componente essencial do balanço patrimonial.

Pois é, aqui o processo para abrir uma empresa começa a te mostrar que você vai precisar se familiarizar com um vocabulário novo. Por isso, fica a dica para que você confira alguns termos financeiros que todo empreendedor precisa saber.

Estruture o marketing

Ainda que você seja MEI ou uma “eupresa” (termo popular usado para fazer referência à empresas compostas por uma pessoa só), pensar o marketing pode ser importante para tornar seu negócio conhecido e viabilizar vendas.

Entre as estratégias de marketing tradicional e digital, destacamos:

  • presença nas redes sociais relevantes;
  • criação de site institucional (sobretudo para empresas médias e grandes);
  • material gráfico (cartões, folders, banners);
  • campanhas de publicidade online;
  • estratégias de SEO e marketing de conteúdo;
  • networking e parcerias estratégicas;
  • participação em eventos do setor;
  • relacionamento com a imprensa local.

Precisa de tudo isso para começar? Não, mas é interessante ter em mente quais estratégias sua empresa pode utilizar para alcançar mais relevância perante o mercado, potenciais parceiros comerciais e clientes.

Estruture o RH

Mesmo que inicialmente você trabalhe sozinho, é importante planejar a estrutura de RH pensando no crescimento do negócio.

Um bom ponto de partida é definir as funções necessárias para a operação da empresa, pesquisar os salários praticados no mercado e estabelecer critérios básicos de contratação. Assim, você passa a ter mais clareza para orientar seus próximos passos.

Eventualmente, a depender da estrutura da organização, será interessante desenvolver um código de conduta, criar uma política de benefícios e até planos de desenvolvimento de colaboradores e carreira.

Estruture o DP

Se o futuro da empresa envolve contratações, especialmente com carteira assinada, você precisará pensar na estrutura do seu DP, setor responsável pela gestão de contratos e por rotinas como:

  • formalização da admissão e demissão de funcionários;
  • cálculo de folha de pagamento;
  • controle de ponto e frequência;
  • gestão de benefícios;
  • eSocial e outras declarações
  • recolhimento de impostos e contribuições
  • arquivo de documentos trabalhistas e outros.

Esse planejamento é importante ainda que você mesmo vá assumir essa função. E, especialmente se esse for o caso, nosso kit gratuito para empreendedores que querem acertar na folha de pagamento pode ser uma mão na roda. Aproveite!

2. Natureza jurídica e regime tributário

aspectos jurídicos para abrir empresaaspectos jurídicos para abrir empresa

 A natureza jurídica de uma empresa determina sua estrutura legal, ou seja, como será formada, quais as regras de funcionamento e a responsabilidade dos sócios (caso existam). Por sua vez, o regime tributário define como os impostos serão calculados e pagos. 

Defina o tipo da empresa (MEI, ME ou EPP)

A escolha do porte da empresa depende do faturamento anual previsto.

Como mencionamos, pode ser que você precise da ajuda especializada de um contador, mas te dar uma noção desde já, trouxemos as principais diferenças entre MEI, ME e EPP a seguir.

MEI (Microempreendedor Individual):

  • faturamento até R$ 81.000,00 anuais;
  • apenas um funcionário (além do titular);
  • atividades permitidas limitadas;
  • tributação simplificada através do DAS.

ME (Microempresa):

  • faturamento até R$ 360.000,00 anuais;
  • pode ter vários sócios e funcionários;
  • acesso ao Simples Nacional;
  • maior flexibilidade de atividades.

EPP (Empresa de Pequeno Porte):

  • faturamento de R$ 360.000,01 até R$ 4.800.000,00 anuais;
  • pode optar pelo Simples Nacional;
  • maior capacidade de crescimento;
  • obrigações fiscais mais complexas.

Em todos esses casos, se você optar por contratar profissionais segundo as regras da CLT, pode contar com nosso manual simplificado sobre eSocial para tirar dúvidas e garantir o cumprimento correto das obrigações.

Estabeleça a natureza jurídica da empresa (EI, SLU ou LTDA)

Aqui falamos essencialmente sobre a estrutura societária da organização, um conhecimento sobre como abrir uma empresa que você precisa ter ainda que planeje não ter nenhum sócio. 

EI (Empresário Individual):

  • uma única pessoa física;
  • responsabilidade ilimitada;
  • não há separação entre patrimônio pessoal e empresarial;
  • mais simples para constituir.

SLU (Sociedade Limitada Unipessoal):

  • uma única pessoa física ou jurídica;
  • responsabilidade limitada ao capital social;
  • separação entre patrimônio pessoal e empresarial;
  • maior proteção patrimonial.

LTDA (Sociedade Limitada):

  • dois ou mais sócios;
  • responsabilidade limitada ao capital social;
  • quotas de participação definidas em contrato;
  • gestão compartilhada entre sócios.

Escolha o regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real)

Uma das principais dúvidas sobre o processo de formalizar uma empresa tem relação com a tributação e o receio de ter custos elevados demais. Os valores variam de acordo com o tipo de regime tributário e, por isso, é fundamental entender suas características.

Fizemos uma tabela para facilitar a compreensão das informações:

Regime tributário Faturamento limite Base de cálculo Principais características
Simples Nacional Até R$4,8 milhões anuais Alíquotas progressivas conforme faturamento • Tributos unificados em uma única guia• Menos obrigações acessórias• Processo simplificado
Lucro Presumido Até R$78 milhões anuais Base de cálculo presumida sobre a receita • Alíquotas fixas por tipo de atividade• Apuração trimestral• Complexidade intermediária
Lucro Real Obrigatório acima de R$78 milhões Base de cálculo sobre o lucro efetivo • Maior complexidade contábil• Possibilidade de compensar prejuízos• Controle rigoroso de receitas e despesas

3. Burocracias e formalizações

A etapa de burocracias e formalizações representa a materialização legal do seu negócio, transformando o planejamento em realidade jurídica. Embora gere resistência, essa é a fase que garante que sua empresa opere dentro da legalidade e tenha acesso a todos os benefícios e proteções que a formalização oferece.

Documentos necessários para abrir uma empresa

A atenção à documentação é básica. Ainda que o processo ocorra totalmente ou em sua maior parte no ambiente digital, convém ter uma lista dos documentos que você precisará apresentar para evitar atrasos e outras complicações. Confira o checklist a seguir:

Documentos pessoais dos sócios:

  • RG e CPF (cópias autenticadas)
  • Comprovante de residência atualizado
  • Certidão de casamento (se aplicável)
  • Declaração de Imposto de Renda

Documentos do imóvel:

  • Contrato de locação ou escritura
  • IPTU atualizado
  • Declaração de uso do imóvel
  • Consulta de viabilidade (quando necessária)

Outros documentos:

  • Consulta de nome empresarial
  • Código de atividade econômica (CNAE)
  • Capital social definido
  • Contrato social elaborado

Escolha a razão social e o nome fantasia

A razão social é o nome formal da empresa e constará em todos seus documentos, inclusive no CNPJ e em contratos. Deve incluir o tipo de sociedade e não pode ser igual ao de outra empresa existente.

Por sua vez, o nome fantasia é o nome comercial que será usado no dia a dia, peças de comunicação e marketing. Assim, pode ser diferente da razão social e convém registrá-lo como marca para evitar que outros negócios sejam identificados pelo público da mesma forma, gerando confusão.

Dicas para escolher:

  • verifique disponibilidade na Junta Comercial;
  • pesquise se não há marcas registradas similares;
  • escolha nomes fáceis de lembrar e pronunciar;
  • considere a expansão futura do negócio.

💡Vale saber: Junta Comercial é o órgão público estadual que registra e organiza informações sobre empresas, faz a autenticação de documentos comerciais e mantém um histórico cadastral para garantir a segurança jurídica e a transparência das atividades empresariais. 

Elabore contrato social e registre a empresa na Junta Comercial

O contrato social é o documento que formaliza a criação da empresa. Para elaborá-lo, é recomendado consultar um advogado para garantir a conformidade legal e a segurança jurídica do acordo, principalmente em estruturas societárias mais complexas.

Em todos os casos, esse contrato deve conter:

  • identificação dos sócios: dados pessoais completos;
  • objeto social: atividades que a empresa exercerá;
  • capital social: valor e forma de integralização;
  • quotas de participação: percentual de cada sócio;
  • administração: quem representará a empresa;
  • endereço da sede: local de funcionamento.

Depois de consultar a viabilidade do nome da empresa e elaborar o contrato social, chega o momento de fazer o registro na Junta Comercial. Esse processo envolve:

  • pagamento das taxas;
  • protocolo dos documentos;
  • análise e deferimento;
  • retirada do NIRE (Número de Identificação do Registro de Empresas).

Obtenha CNPJ e inscrição estadual/municipal

A consequência automática do registro na Junta Comercial é a solicitação de criação do CNPJ da sua empresa. Esse documento é essencial para o funcionamento da empresa, inclusive por ser o que vai permitir a abertura da conta bancária e a emissão de notas fiscais.

Em alguns casos, outros passos fazem parte do processo burocrático que você enfrentará ao abrir uma empresa.

Inscrição estadual:

  • necessária para empresas que comercializam produtos;
  • permite emissão de notas fiscais de venda;
  • cada estado tem suas regras específicas;
  • isenta para prestadores de serviços (na maioria dos estados).

Inscrição municipal:

  • obrigatória para prestadores de serviços;
  • permite emissão de notas fiscais de serviços;
  • necessária para obter alvará de funcionamento;
  • cada município tem suas particularidades.

Obtenha alvarás, licenças e autorizações específicas

Dependendo das atividades atreladas ao seu negócio, também, podem ser necessários outros documentos. Acompanhe!

Alvará de funcionamento:

  • autorização municipal para funcionamento;
  • vistoria do local pode ser necessária;
  • renovação periódica obrigatória;
  • específico para cada endereço.

Licenças específicas:

  • Vigilância Sanitária (alimentação, saúde, cosméticos);
  • Corpo de Bombeiros (estabelecimentos com público);
  • órgãos ambientais (atividades com impacto ambiental);
  • conselhos profissionais (atividades regulamentadas).

Autorizações especiais:

  • ANATEL (telecomunicações);
  • ANVISA (medicamentos, alimentos);
  • Banco Central (atividades financeiras);
  • Ministério da Agricultura (agronegócios).

Custos, prazos e obrigações iniciais

controle de horas trabalhadascontrole de horas trabalhadas

Compreender os custos, prazos e obrigações iniciais é fundamental para quem está aprendendo como abrir empresa de forma planejada e sem surpresas financeiras

Ter essas informações em mãos contribui para evitar atrasos desnecessários e garante que você esteja preparado para cumprir todas as obrigações legais desde o primeiro dia de funcionamento do seu negócio.

Quanto custa abrir empresa no Brasil hoje?

Os custos de abertura variam conforme o tipo de empresa, estado, município e atividade escolhida. Assim, é essencial consultar os órgãos locais para informações precisas.

Partindo de informações que retratam a realidade do mercado, a tabela a seguir te dá uma ideia de como podem ser esses valores:

Tipo de empresa Custos obrigatórios Honorários contábeis Total estimado
MEI Não há (gratuito) R$0 – R$200 R$0 – R$200
ME / EPP (Simples) R$200 – R$1.000 R$500 – R$2.000 R$700 – R$3.000
LTDA (outros regimes) R$500 – R$2.000 R$1.000 – R$5.000 R$1.500 – R$7.000

Para ter ainda mais clareza sobre os custos, é legal saber que, embutido nos custos obrigatórios, está a taxa de registro na Junta Comercial. Embora varie de acordo com o estado, custa entre R$100 e R$1.500.

Ainda, o certificado digital ― necessário para a assinatura de documentos digitais ― tem custo variando entre R$200 e R$400. E ainda pode ser necessário pagar taxas municipais e estaduais de alvará e licenciamento.

O Capital Social também entra na equação, ainda que não seja obrigatório. A recomendação é ter um valor mínimo para registrar o contrato social e fazer a emissão do CNPJ. Seu contador vai indicar esse valor, mas adiantamos que muitos especialistas orientam que seja R$1.000.

E, por falar em contador, pode ser obrigatório contar com esse serviço; o que gera um custo médio conforme apresentado na tabela.

Importante: o MEI está isento de todas as obrigações. Eventualmente, pode gastar com contabilidade caso busque esse apoio no processo de abertura da empresa.

Quando os gastos entram em cena, todo empreendedor precisa estar preparado para realizar uma gestão financeira básica. Por isso, a dica da vez é baixar gratuitamente a planilha para organizar despesas empresariais desenvolvida pela Sólides.

Qual o prazo médio para formalização?

O prazo de formalização varia conforme o tipo de empresa escolhido. Com o MEI, o processo é 100% online e costuma levar entre um e três dias úteis. As outras opções, por serem mais complexas, demandam um pouco mais de tempo.

A abertura de uma ME ou EPP pode levar entre 15 e 30 dias úteis. Por sua vez, uma LTDA pode demandar de 30 a 60 dias úteis.

Em todos os casos, alguns fatores podem atrasar o processo:

  • documentação incompleta;
  • atividades que exigem licenças especiais;
  • pendências na Receita Federal ou Junta Comercial;
  • variações entre municípios.

Quanto tempo demora para abrir uma empresa?

Lendo aqui sobre como abrir uma empresa, você aprendeu que existem etapas além da burocracia. O nível de complexidade do negócio vai influenciar o tempo total do planejamento à formalização. Em um cenário típico, temos algo como:

  • MEI: 1 a 2 semanas (total);
  • empresa simples: 1 a 2 meses;
  • empresa complexa: 2 a 4 meses.

Principais erros ao abrir uma empresa e como evitá-los

Um dos principais erros é não se preparar. Não falamos em, necessariamente, buscar formação acadêmica formal, mas entender que ter um negócio bem-sucedido não depende de talento, tampouco é uma habilidade “genética” passada de pai pra filho.

Aliás, esse é um dos vários mitos do empreendedorismo que contribuem para o fracasso de muitas empresas.

Em adição, temos uma lista de equívocos comuns e dicas simples para não cometê-los. Veja:

1. Escolha inadequada do regime tributário

Erro: optar pelo regime sem análise detalhada.

Solução: fazer simulações com diferentes cenários de faturamento.

2. CNAE incorreto

Erro: escolher código que não representa a atividade real.

Solução: consultar um contador e analisar todas as atividade

3. Capital social insuficiente

Erro: definir valor muito baixo por economia.

Solução: calcular as necessidades reais de investimento.

4. Falta de planejamento financeiro

Erro: não considerar custos mensais fixos.

Solução: elaborar um fluxo de caixa detalhado

5. Negligenciar obrigações acessórias

Erro: focar apenas na abertura, ignorando obrigações posteriores.

Solução: estabelecer rotinas de cumprimento desde o início.

6. Escolha inadequada do contador

Erro: contratar apenas pelo menor preço.

Solução: avaliar experiência, qualificação e referências.

Dica: serviços de contabilidade para pequenas empresas existem a preços justos, seja diretamente com um profissional ou por meio de plataformas especializadas.

7. Localização sem estudo

Erro: escolher endereço sem analisar restrições.

Solução: verificar o zoneamento e consultar viabilidade.

Aproveitando o assunto, trouxemos também outros pontos de atenção para sua jornada no empreendedorismo:

Tire outras dúvidas sobre como abrir uma empresa!

Aqui você encontra alguns dos principais tópicos abordados neste artigo, além de outras perguntas e respostas relevantes.

Quais são os 4 tipos de empresa?

Os principais tipos de empresa no Brasil são: MEI (Microempreendedor Individual); ME (Microempresa); EPP (Empresa de Pequeno Porte); Empresa de grande porte.

O que é uma empresa de 1 pessoa?

Uma empresa de 1 pessoa é aquela que conta apenas com seu fundador, sem sócios. O que pode acontecer nos seguintes cenários:
MEI: modalidade mais simples para empreendedores individuais;
EI (Empresário Individual): pessoa física exercendo atividade empresarial;
SLU (Sociedade Limitada Unipessoal): sociedade com um único sócio, oferecendo proteção patrimonial.

É possível abrir empresa com o nome sujo?

Sim. A Lei Complementar n°123 de 14 de dezembro de 2006 define que ter o nome negativado não pode impedir uma pessoa de abrir uma empresa. Contudo, a situação pode dificultar processos como a abertura de contas PJ e a obtenção de crédito.

É possível abrir empresa com mais de um segmento?

Sim. Uma empresa pode ter múltiplas atividades, sendo a principal a que gera maior receita  e que deve ser definida a partir do CNAE primário, enquanto as outras são definidas a partir de CNAEs secundários.

Uma pessoa CLT pode abrir uma empresa?

Sim. Contudo, é importante observar eventuais restrições definidas no contrato de trabalho. É comum que o documento determine que o funcionário precisa evitar conflito de interesses (não concorrer com o empregador) e, em alguns casos, pode haver cláusula de exclusividade.

Tudo certo sobre abrir empresa?

Para te explicar como abrir uma empresa no Brasil, além de compartilhar um passo a passo, buscamos mostrar como é importante estudar cenários, conhecer suas obrigações e definir um plano de negócios para elevar as chances de sucesso.

Além do processo de abertura, ter um negócio demanda gestão diária: financeira, orçamentária, comercial, administrativa, contábil, gestão de marketing e de pessoas. Contar com ajuda especializada ou recursos que facilitem essas rotinas é uma boa ideia sempre que possível. 

Por isso, para você que está prestes a começar, preparamos um kit gratuito com cinco planilhas prontas que vão facilitar sua vida em meio a tantas responsabilidades. Aproveite!



Artigo originalmente publicado por Leonardo Barros em
2025-10-30 14:54:00 no site

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Fonte: solides.com.br

Está em busca de entender como abrir uma empresa? Você faz parte de um grupo formado por cerca de 47 milhões de brasileiros que desejam ter o próprio negócio em um futuro próximo, segundo levantamento realizado pelo Sebrae. Falamos de cerca de metade da população adulta do país.

Transformar uma ideia em um negócio próspero vai muito além de ter um bom produto ou serviço. É preciso entender as implicações legais, tributárias e operacionais. Fizemos este guia justamente para te orientar em cada etapa do processo, desde o planejamento inicial até a formalização definitiva.

Por que abrir empresa formalmente?

A formalização empresarial é uma obrigação legal e uma estratégia básica para a sustentabilidade e crescimento de qualquer negócio.

Sim, o empreendedorismo no Brasil é envolto por desafios reais que vão do conhecimento geral limitado sobre gestão empresarial à complexidade tributária (que, vale ressaltar, não se aplica à realidade de quem é MEI – Microempreendedor Individual.

Um estudo realizado pela TMF Group, consultoria de serviços de compliance, apontou o Brasil como o país mais complexo para empreender. Contudo, cabe ponderar sobre o que disse o diretor geral da TMF, Rodrigo Zambon:

“Os desafios que aparecem ao operar aqui podem ser desencorajadores a princípio, mas com tudo que o país tem para oferecer, este estado mental muda rapidamente para aqueles que estejam buscando boas oportunidades de investimento”.

Em suma, é importante formalizar a empresa para não operar na ilegalidade, ficar sujeito à multas e outras penalidades, além de limitar as possibilidades de crescimento do negócio.

Vantagens para a gestão de pessoas, RH e DP

Formalizar a empresa significa ter um CNPJ ativo ― o que vale para MEI, ME, EPP e outros empreendimentos. Para a gestão de pessoas, isso se traduz em uma série de benefícios, como:

  • possibilidade de contratação legal de funcionários, ou seja, a contratação com carteira assinada ― o que reduz o risco de pejotização (gestão inadequada dos contratos de prestação de serviços de profissionais PJ);
  • participação em programas governamentais como Jovem Aprendiz e contratação de estagiários ― o que dá à empresa a oportunidade de formar talentos para seu quadro de funcionários e acesso a benefícios fiscais;
  •  possibilidade de oferecer benefícios corporativos, planos de desenvolvimento e carreira ― algo que contribui para elevar a atração e retenção de talentos;
  • garante mais proteção jurídica ― promovendo a redução de riscos trabalhistas através do cumprimento adequado da legislação.

Além disso, é importante salientar que ter um negócio formal é o que permite que os profissionais de RH e DP atuem para que a empresa esteja sempre em conformidade com as regras.

O que envolve, por exemplo, o cumprimento das obrigações trabalhistas, como o recolhimento correto de FGTS, INSS e demais encargos,  assim como o cumprimento de obrigações acessórias, como a entrega correta de RAIS, CAGED, eSocial e outras declarações.

Riscos de operar sem formalização

Ainda, como mencionamos, a falta de formalização deixa você e seu negócio expostos a riscos significativos, além de reduzir suas oportunidades de crescimento. Veja só:

  • multas e penalidades: fiscalizações podem resultar em multas pesadas e fechamento do estabelecimento, algo que pode ocorrer em decorrência da contratação de funcionários sem carteira assinada;
  • problemas trabalhistas: o trabalho informal também pode gerar ações judiciais que resultem em perdas financeiras e prejudiquem a reputação da empresa e sua capacidade de atrair novos talentos;
  • ausência de proteção previdenciária: operar sem formalização faz com que você deixe de contribuir de forma adequada com o INSS, colocando em risco sua própria aposentadoria;
  • dificuldade de crescimento: negócios informais nem sempre conseguem acesso ao crédito (empréstimo bancário), fechar contratos com grandes empresas e ficam impossibilitadas de participar de licitações;
  • falta de credibilidade: a condição impõe dificuldades para conquistar clientes e fornecedores de maior porte.

Como abrir empresa: passo a passo

como abrir empresa - passo a passocomo abrir empresa - passo a passo

Agora que você sabe que o ideal ao abrir uma empresa é buscar a formalização, confira as etapas do processo a partir do planejamento, burocracias e custos envolvidos.

1. Planejamento e estruturação

Não dá para falar sobre como abrir empresa com sucesso e sustentabilidade sem falar da importância do planejamento.

Essa etapa inicial envolve desde a análise detalhada do mercado até a estruturação dos setores essenciais do negócio. Ainda, reduz riscos, otimiza recursos e aumenta as chances de sucesso

Faça uma análise de mercado

O primeiro passo a favor da sustentabilidade de um negócio é saber se sua ideia de empreendimento é viável. Isso envolve analisar o mercado que você pretende atuar para ver se existe demanda e qual a realidade do setor. Considere fazer:

  • pesquisa de concorrência: identifique seus principais concorrentes, analise seus preços, produtos/serviços e estratégias;
  • análise do público-alvo: defina claramente quem são seus clientes ideais, suas necessidades e comportamentos de consumo;
  • estudo de viabilidade econômica: calcule a demanda potencial e a capacidade de geração de receita;
  • análise de tendências: identifique oportunidades e ameaças no setor;
  • pesquisa de localização: se aplicável, estude a melhor localização para seu negócio.

Desenvolva um plano de negócios

O fundador da InMerc Escola de Negócios, Natal Pinto, destaca a falta de um plano de negócios como principal risco para o futuro de um empreendimento. Definir como a empresa deve funcionar e ter uma visão estratégica clara orienta cada ação, inclusive diante de eventuais dificuldades.

Um bom plano de negócios deve incluir:

  • resumo executivo: visão geral do negócio e seus objetivos;
  • descrição da empresa: missão, visão, valores e proposta de valor;
  • análise de mercado: dados coletados na etapa anterior;
  • organização e gestão: estrutura organizacional e perfil da equipe;
  • produtos/serviços: descrição detalhada do que será oferecido;
  • marketing e vendas: estratégias para atrair e reter clientes;
  • projeções financeiras: demonstrativos de resultado, fluxo de caixa e balanço patrimonial projetados;
  • solicitação de financiamento: se aplicável, valores necessários e como serão utilizados.

Verifique a viabilidade e escolha o ramo da atividade (CNAE)

CNAE é sigla para Classificação Nacional de Atividades Econômicas, uma classificação que deve ser feita com base na atividade principal da sua empresa. Essa escolha impacta diretamente:

  • regime tributário aplicável;
  • alvarás e licenças necessários;
  • obrigações específicas do setor;
  • possibilidade de enquadramento no Simples Nacional.
Como escolher o CNAE da empresa?

A escolha do CNAE é estratégica porque define as possibilidades de atuação da sua empresa e pode influenciar alguns tributos. Para uma definição adequada, você deve:

  1. Acessar o site do IBGE e consultar a tabela completa de CNAEs (caso você queira ser MEI, também pode fazer a consulta das ocupações permitidas no portal gov.br);
  2. Identificar a atividade principal, ou seja, a que gerará maior receita para seu negócio;
  3. Listar as atividades secundárias que também serão desenvolvidas;
  4. Consultar um contador para validar a escolha e verificar implicações tributárias;
  5. Verificar eventuais restrições locais tendo em mente que alguns municípios têm limitações para determinadas atividades.

Contrate um contador

A abertura do MEI, em específico, é um processo simples que pode ser feito 100% online e por conta própria. Contudo, é importante tirar dúvidas com especialistas caso necessário.

Nos demais casos, a contratação de um contador qualificado se torna essencial para quem busca entender como abrir empresa corretamente. O profissional contábil será responsável por:

  • orientar sobre o melhor tipo de empresa para sua situação;
  • escolher o regime tributário mais vantajoso;
  • elaborar o contrato social e demais documentos;
  • acompanhar o processo de abertura;
  • fazer a gestão das obrigações fiscais após a abertura;
  • realizar o planejamento tributário para otimização de impostos e redução de custos.

Abra uma conta bancária empresarial e defina o capital social

Em muitos dos casos, a formalização de uma empresa demanda a abertura de uma conta PJ e a boa notícia é que vários bancos oferecem esse serviço com condições interessantes. Há até instituições que trabalham somente com esse tipo de conta.

Em todo caso, a orientação é:

  • pesquisar diferentes bancos e suas condições;
  • comparar tarifas e serviços oferecidos;
  • verificar a necessidade de movimentação mínima;
  • analisar os produtos disponíveis (cartões, crédito, investimentos).

Sobre o capital social, entenda que falamos sobre o valor que você ou você e seus sócios vão investir para abrir a empresa. Para definir a quantia, é recomendado:

  • calcular os investimentos iniciais necessários: equipamentos, estoque, reformas, capital de giro;
  • considerar as responsabilidades dos sócios (caso existam): o capital social pode limitar a responsabilidade em alguns tipos de empresa;
  • avaliar necessidades futuras: possíveis expansões ou investimentos adicionais;
  • consultar seu contador: para entender as implicações tributárias e legais.

O capital social pode ser pode ser composto por dinheiro, bens (como imóveis) e outros direitos de valor econômico. Existe para mostrar que você ou você e seus sócios têm condições de arcar com os custos da empresa.

Além disso, funciona como um indicador de confiança para o mercado e é um componente essencial do balanço patrimonial.

Pois é, aqui o processo para abrir uma empresa começa a te mostrar que você vai precisar se familiarizar com um vocabulário novo. Por isso, fica a dica para que você confira alguns termos financeiros que todo empreendedor precisa saber.

Estruture o marketing

Ainda que você seja MEI ou uma “eupresa” (termo popular usado para fazer referência à empresas compostas por uma pessoa só), pensar o marketing pode ser importante para tornar seu negócio conhecido e viabilizar vendas.

Entre as estratégias de marketing tradicional e digital, destacamos:

  • presença nas redes sociais relevantes;
  • criação de site institucional (sobretudo para empresas médias e grandes);
  • material gráfico (cartões, folders, banners);
  • campanhas de publicidade online;
  • estratégias de SEO e marketing de conteúdo;
  • networking e parcerias estratégicas;
  • participação em eventos do setor;
  • relacionamento com a imprensa local.

Precisa de tudo isso para começar? Não, mas é interessante ter em mente quais estratégias sua empresa pode utilizar para alcançar mais relevância perante o mercado, potenciais parceiros comerciais e clientes.

Estruture o RH

Mesmo que inicialmente você trabalhe sozinho, é importante planejar a estrutura de RH pensando no crescimento do negócio.

Um bom ponto de partida é definir as funções necessárias para a operação da empresa, pesquisar os salários praticados no mercado e estabelecer critérios básicos de contratação. Assim, você passa a ter mais clareza para orientar seus próximos passos.

Eventualmente, a depender da estrutura da organização, será interessante desenvolver um código de conduta, criar uma política de benefícios e até planos de desenvolvimento de colaboradores e carreira.

Estruture o DP

Se o futuro da empresa envolve contratações, especialmente com carteira assinada, você precisará pensar na estrutura do seu DP, setor responsável pela gestão de contratos e por rotinas como:

  • formalização da admissão e demissão de funcionários;
  • cálculo de folha de pagamento;
  • controle de ponto e frequência;
  • gestão de benefícios;
  • eSocial e outras declarações
  • recolhimento de impostos e contribuições
  • arquivo de documentos trabalhistas e outros.

Esse planejamento é importante ainda que você mesmo vá assumir essa função. E, especialmente se esse for o caso, nosso kit gratuito para empreendedores que querem acertar na folha de pagamento pode ser uma mão na roda. Aproveite!

2. Natureza jurídica e regime tributário

aspectos jurídicos para abrir empresaaspectos jurídicos para abrir empresa

 A natureza jurídica de uma empresa determina sua estrutura legal, ou seja, como será formada, quais as regras de funcionamento e a responsabilidade dos sócios (caso existam). Por sua vez, o regime tributário define como os impostos serão calculados e pagos. 

Defina o tipo da empresa (MEI, ME ou EPP)

A escolha do porte da empresa depende do faturamento anual previsto.

Como mencionamos, pode ser que você precise da ajuda especializada de um contador, mas te dar uma noção desde já, trouxemos as principais diferenças entre MEI, ME e EPP a seguir.

MEI (Microempreendedor Individual):

  • faturamento até R$ 81.000,00 anuais;
  • apenas um funcionário (além do titular);
  • atividades permitidas limitadas;
  • tributação simplificada através do DAS.

ME (Microempresa):

  • faturamento até R$ 360.000,00 anuais;
  • pode ter vários sócios e funcionários;
  • acesso ao Simples Nacional;
  • maior flexibilidade de atividades.

EPP (Empresa de Pequeno Porte):

  • faturamento de R$ 360.000,01 até R$ 4.800.000,00 anuais;
  • pode optar pelo Simples Nacional;
  • maior capacidade de crescimento;
  • obrigações fiscais mais complexas.

Em todos esses casos, se você optar por contratar profissionais segundo as regras da CLT, pode contar com nosso manual simplificado sobre eSocial para tirar dúvidas e garantir o cumprimento correto das obrigações.

Estabeleça a natureza jurídica da empresa (EI, SLU ou LTDA)

Aqui falamos essencialmente sobre a estrutura societária da organização, um conhecimento sobre como abrir uma empresa que você precisa ter ainda que planeje não ter nenhum sócio. 

EI (Empresário Individual):

  • uma única pessoa física;
  • responsabilidade ilimitada;
  • não há separação entre patrimônio pessoal e empresarial;
  • mais simples para constituir.

SLU (Sociedade Limitada Unipessoal):

  • uma única pessoa física ou jurídica;
  • responsabilidade limitada ao capital social;
  • separação entre patrimônio pessoal e empresarial;
  • maior proteção patrimonial.

LTDA (Sociedade Limitada):

  • dois ou mais sócios;
  • responsabilidade limitada ao capital social;
  • quotas de participação definidas em contrato;
  • gestão compartilhada entre sócios.

Escolha o regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real)

Uma das principais dúvidas sobre o processo de formalizar uma empresa tem relação com a tributação e o receio de ter custos elevados demais. Os valores variam de acordo com o tipo de regime tributário e, por isso, é fundamental entender suas características.

Fizemos uma tabela para facilitar a compreensão das informações:

Regime tributário Faturamento limite Base de cálculo Principais características
Simples Nacional Até R$4,8 milhões anuais Alíquotas progressivas conforme faturamento • Tributos unificados em uma única guia• Menos obrigações acessórias• Processo simplificado
Lucro Presumido Até R$78 milhões anuais Base de cálculo presumida sobre a receita • Alíquotas fixas por tipo de atividade• Apuração trimestral• Complexidade intermediária
Lucro Real Obrigatório acima de R$78 milhões Base de cálculo sobre o lucro efetivo • Maior complexidade contábil• Possibilidade de compensar prejuízos• Controle rigoroso de receitas e despesas

3. Burocracias e formalizações

A etapa de burocracias e formalizações representa a materialização legal do seu negócio, transformando o planejamento em realidade jurídica. Embora gere resistência, essa é a fase que garante que sua empresa opere dentro da legalidade e tenha acesso a todos os benefícios e proteções que a formalização oferece.

Documentos necessários para abrir uma empresa

A atenção à documentação é básica. Ainda que o processo ocorra totalmente ou em sua maior parte no ambiente digital, convém ter uma lista dos documentos que você precisará apresentar para evitar atrasos e outras complicações. Confira o checklist a seguir:

Documentos pessoais dos sócios:

  • RG e CPF (cópias autenticadas)
  • Comprovante de residência atualizado
  • Certidão de casamento (se aplicável)
  • Declaração de Imposto de Renda

Documentos do imóvel:

  • Contrato de locação ou escritura
  • IPTU atualizado
  • Declaração de uso do imóvel
  • Consulta de viabilidade (quando necessária)

Outros documentos:

  • Consulta de nome empresarial
  • Código de atividade econômica (CNAE)
  • Capital social definido
  • Contrato social elaborado

Escolha a razão social e o nome fantasia

A razão social é o nome formal da empresa e constará em todos seus documentos, inclusive no CNPJ e em contratos. Deve incluir o tipo de sociedade e não pode ser igual ao de outra empresa existente.

Por sua vez, o nome fantasia é o nome comercial que será usado no dia a dia, peças de comunicação e marketing. Assim, pode ser diferente da razão social e convém registrá-lo como marca para evitar que outros negócios sejam identificados pelo público da mesma forma, gerando confusão.

Dicas para escolher:

  • verifique disponibilidade na Junta Comercial;
  • pesquise se não há marcas registradas similares;
  • escolha nomes fáceis de lembrar e pronunciar;
  • considere a expansão futura do negócio.

💡Vale saber: Junta Comercial é o órgão público estadual que registra e organiza informações sobre empresas, faz a autenticação de documentos comerciais e mantém um histórico cadastral para garantir a segurança jurídica e a transparência das atividades empresariais. 

Elabore contrato social e registre a empresa na Junta Comercial

O contrato social é o documento que formaliza a criação da empresa. Para elaborá-lo, é recomendado consultar um advogado para garantir a conformidade legal e a segurança jurídica do acordo, principalmente em estruturas societárias mais complexas.

Em todos os casos, esse contrato deve conter:

  • identificação dos sócios: dados pessoais completos;
  • objeto social: atividades que a empresa exercerá;
  • capital social: valor e forma de integralização;
  • quotas de participação: percentual de cada sócio;
  • administração: quem representará a empresa;
  • endereço da sede: local de funcionamento.

Depois de consultar a viabilidade do nome da empresa e elaborar o contrato social, chega o momento de fazer o registro na Junta Comercial. Esse processo envolve:

  • pagamento das taxas;
  • protocolo dos documentos;
  • análise e deferimento;
  • retirada do NIRE (Número de Identificação do Registro de Empresas).

Obtenha CNPJ e inscrição estadual/municipal

A consequência automática do registro na Junta Comercial é a solicitação de criação do CNPJ da sua empresa. Esse documento é essencial para o funcionamento da empresa, inclusive por ser o que vai permitir a abertura da conta bancária e a emissão de notas fiscais.

Em alguns casos, outros passos fazem parte do processo burocrático que você enfrentará ao abrir uma empresa.

Inscrição estadual:

  • necessária para empresas que comercializam produtos;
  • permite emissão de notas fiscais de venda;
  • cada estado tem suas regras específicas;
  • isenta para prestadores de serviços (na maioria dos estados).

Inscrição municipal:

  • obrigatória para prestadores de serviços;
  • permite emissão de notas fiscais de serviços;
  • necessária para obter alvará de funcionamento;
  • cada município tem suas particularidades.

Obtenha alvarás, licenças e autorizações específicas

Dependendo das atividades atreladas ao seu negócio, também, podem ser necessários outros documentos. Acompanhe!

Alvará de funcionamento:

  • autorização municipal para funcionamento;
  • vistoria do local pode ser necessária;
  • renovação periódica obrigatória;
  • específico para cada endereço.

Licenças específicas:

  • Vigilância Sanitária (alimentação, saúde, cosméticos);
  • Corpo de Bombeiros (estabelecimentos com público);
  • órgãos ambientais (atividades com impacto ambiental);
  • conselhos profissionais (atividades regulamentadas).

Autorizações especiais:

  • ANATEL (telecomunicações);
  • ANVISA (medicamentos, alimentos);
  • Banco Central (atividades financeiras);
  • Ministério da Agricultura (agronegócios).

Custos, prazos e obrigações iniciais

controle de horas trabalhadascontrole de horas trabalhadas

Compreender os custos, prazos e obrigações iniciais é fundamental para quem está aprendendo como abrir empresa de forma planejada e sem surpresas financeiras

Ter essas informações em mãos contribui para evitar atrasos desnecessários e garante que você esteja preparado para cumprir todas as obrigações legais desde o primeiro dia de funcionamento do seu negócio.

Quanto custa abrir empresa no Brasil hoje?

Os custos de abertura variam conforme o tipo de empresa, estado, município e atividade escolhida. Assim, é essencial consultar os órgãos locais para informações precisas.

Partindo de informações que retratam a realidade do mercado, a tabela a seguir te dá uma ideia de como podem ser esses valores:

Tipo de empresa Custos obrigatórios Honorários contábeis Total estimado
MEI Não há (gratuito) R$0 – R$200 R$0 – R$200
ME / EPP (Simples) R$200 – R$1.000 R$500 – R$2.000 R$700 – R$3.000
LTDA (outros regimes) R$500 – R$2.000 R$1.000 – R$5.000 R$1.500 – R$7.000

Para ter ainda mais clareza sobre os custos, é legal saber que, embutido nos custos obrigatórios, está a taxa de registro na Junta Comercial. Embora varie de acordo com o estado, custa entre R$100 e R$1.500.

Ainda, o certificado digital ― necessário para a assinatura de documentos digitais ― tem custo variando entre R$200 e R$400. E ainda pode ser necessário pagar taxas municipais e estaduais de alvará e licenciamento.

O Capital Social também entra na equação, ainda que não seja obrigatório. A recomendação é ter um valor mínimo para registrar o contrato social e fazer a emissão do CNPJ. Seu contador vai indicar esse valor, mas adiantamos que muitos especialistas orientam que seja R$1.000.

E, por falar em contador, pode ser obrigatório contar com esse serviço; o que gera um custo médio conforme apresentado na tabela.

Importante: o MEI está isento de todas as obrigações. Eventualmente, pode gastar com contabilidade caso busque esse apoio no processo de abertura da empresa.

Quando os gastos entram em cena, todo empreendedor precisa estar preparado para realizar uma gestão financeira básica. Por isso, a dica da vez é baixar gratuitamente a planilha para organizar despesas empresariais desenvolvida pela Sólides.

Qual o prazo médio para formalização?

O prazo de formalização varia conforme o tipo de empresa escolhido. Com o MEI, o processo é 100% online e costuma levar entre um e três dias úteis. As outras opções, por serem mais complexas, demandam um pouco mais de tempo.

A abertura de uma ME ou EPP pode levar entre 15 e 30 dias úteis. Por sua vez, uma LTDA pode demandar de 30 a 60 dias úteis.

Em todos os casos, alguns fatores podem atrasar o processo:

  • documentação incompleta;
  • atividades que exigem licenças especiais;
  • pendências na Receita Federal ou Junta Comercial;
  • variações entre municípios.

Quanto tempo demora para abrir uma empresa?

Lendo aqui sobre como abrir uma empresa, você aprendeu que existem etapas além da burocracia. O nível de complexidade do negócio vai influenciar o tempo total do planejamento à formalização. Em um cenário típico, temos algo como:

  • MEI: 1 a 2 semanas (total);
  • empresa simples: 1 a 2 meses;
  • empresa complexa: 2 a 4 meses.

Principais erros ao abrir uma empresa e como evitá-los

Um dos principais erros é não se preparar. Não falamos em, necessariamente, buscar formação acadêmica formal, mas entender que ter um negócio bem-sucedido não depende de talento, tampouco é uma habilidade “genética” passada de pai pra filho.

Aliás, esse é um dos vários mitos do empreendedorismo que contribuem para o fracasso de muitas empresas.

Em adição, temos uma lista de equívocos comuns e dicas simples para não cometê-los. Veja:

1. Escolha inadequada do regime tributário

Erro: optar pelo regime sem análise detalhada.

Solução: fazer simulações com diferentes cenários de faturamento.

2. CNAE incorreto

Erro: escolher código que não representa a atividade real.

Solução: consultar um contador e analisar todas as atividade

3. Capital social insuficiente

Erro: definir valor muito baixo por economia.

Solução: calcular as necessidades reais de investimento.

4. Falta de planejamento financeiro

Erro: não considerar custos mensais fixos.

Solução: elaborar um fluxo de caixa detalhado

5. Negligenciar obrigações acessórias

Erro: focar apenas na abertura, ignorando obrigações posteriores.

Solução: estabelecer rotinas de cumprimento desde o início.

6. Escolha inadequada do contador

Erro: contratar apenas pelo menor preço.

Solução: avaliar experiência, qualificação e referências.

Dica: serviços de contabilidade para pequenas empresas existem a preços justos, seja diretamente com um profissional ou por meio de plataformas especializadas.

7. Localização sem estudo

Erro: escolher endereço sem analisar restrições.

Solução: verificar o zoneamento e consultar viabilidade.

Aproveitando o assunto, trouxemos também outros pontos de atenção para sua jornada no empreendedorismo:

Tire outras dúvidas sobre como abrir uma empresa!

Aqui você encontra alguns dos principais tópicos abordados neste artigo, além de outras perguntas e respostas relevantes.

Quais são os 4 tipos de empresa?

Os principais tipos de empresa no Brasil são: MEI (Microempreendedor Individual); ME (Microempresa); EPP (Empresa de Pequeno Porte); Empresa de grande porte.

O que é uma empresa de 1 pessoa?

Uma empresa de 1 pessoa é aquela que conta apenas com seu fundador, sem sócios. O que pode acontecer nos seguintes cenários:
MEI: modalidade mais simples para empreendedores individuais;
EI (Empresário Individual): pessoa física exercendo atividade empresarial;
SLU (Sociedade Limitada Unipessoal): sociedade com um único sócio, oferecendo proteção patrimonial.

É possível abrir empresa com o nome sujo?

Sim. A Lei Complementar n°123 de 14 de dezembro de 2006 define que ter o nome negativado não pode impedir uma pessoa de abrir uma empresa. Contudo, a situação pode dificultar processos como a abertura de contas PJ e a obtenção de crédito.

É possível abrir empresa com mais de um segmento?

Sim. Uma empresa pode ter múltiplas atividades, sendo a principal a que gera maior receita  e que deve ser definida a partir do CNAE primário, enquanto as outras são definidas a partir de CNAEs secundários.

Uma pessoa CLT pode abrir uma empresa?

Sim. Contudo, é importante observar eventuais restrições definidas no contrato de trabalho. É comum que o documento determine que o funcionário precisa evitar conflito de interesses (não concorrer com o empregador) e, em alguns casos, pode haver cláusula de exclusividade.

Tudo certo sobre abrir empresa?

Para te explicar como abrir uma empresa no Brasil, além de compartilhar um passo a passo, buscamos mostrar como é importante estudar cenários, conhecer suas obrigações e definir um plano de negócios para elevar as chances de sucesso.

Além do processo de abertura, ter um negócio demanda gestão diária: financeira, orçamentária, comercial, administrativa, contábil, gestão de marketing e de pessoas. Contar com ajuda especializada ou recursos que facilitem essas rotinas é uma boa ideia sempre que possível. 

Por isso, para você que está prestes a começar, preparamos um kit gratuito com cinco planilhas prontas que vão facilitar sua vida em meio a tantas responsabilidades. Aproveite!

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