15 ações de endomarketing para Setembro Amarelo nas empresas


No Brasil, quase 14 mil vidas se perdem todos os anos por essa causa, segundo a Organização Mundial da Saúde. O Setembro Amarelo existe para mudar esse número.

Dentro das empresas, cabe ao RH transformar a campanha em cuidado real, com ações que continuam depois do dia 10, e não em um post esquecido no mural.

Esse texto reúne o significado da campanha, 15 ações de endomarketing testadas por times de RH e o papel concreto que a área deve assumir durante e depois de setembro.

Segundo o Mapa do RH & DP 2026, pesquisa realizada pela Sólides, 77% das empresas brasileiras já estão cientes das novas diretrizes da NR-1 sobre riscos psicossociais, e apenas 51% têm um plano de adequação em andamento.

O tema deixou de ser sensibilização pontual para virar obrigação de gestão.

A seguir, veja como estruturar ações que realmente chegam até o colaborador e o que o RH precisa monitorar o ano todo, não só em setembro.

O que é o Setembro Amarelo?

Setembro Amarelo é a campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio, criada em 2015 e marcada pelo dia 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Ela existe para ampliar o diálogo sobre saúde mental e reduzir o silêncio em torno de quem enfrenta crises emocionais.

Para o RH, é uma data que deve constar no calendário do RH com o mesmo peso de outras obrigações da área, porque coloca a saúde mental no trabalho na pauta oficial da empresa.

A campanha surgiu a partir da história de Mike Emme, jovem norte-americano que tirou a própria vida em 1994.

Amigos e familiares criaram o movimento “Yellow Ribbon” para incentivar o diálogo aberto sobre sofrimento emocional.

É a origem do laço amarelo que hoje circula em empresas do mundo todo.

Quem enfrenta dificuldades emocionais frequentemente não sabe como pedir ajuda, ou tem medo de pedir.

Escuta ativa, abertura para falar sobre sentimentos e cuidado emocional constante salvam vidas, inclusive dentro do ambiente corporativo.

RH e saúde mental: como lidar com colaboradores que precisam de ajuda?

Importância da campanha do Setembro Amarelo nas empresas

O Setembro Amarelo importa para as empresas porque coloca no calendário oficial um tema que, sem essa data, muitas organizações adiam indefinidamente.

Veja os principais motivos para o RH priorizar a campanha:

  1. Reduz o estigma em torno da saúde mental: Falar abertamente sobre sofrimento emocional no ambiente de trabalho diminui o medo de julgamento e facilita que colaboradores peçam ajuda antes de uma crise se agravar.
  2. Cria uma porta de entrada para políticas permanentes: A campanha funciona como gatilho para implementar canais de escuta, benefícios de saúde mental e treinamentos de liderança que continuam ativos o ano todo.
  3. Atende a uma exigência legal: A NR-1 atualizada torna o gerenciamento de riscos psicossociais uma obrigação, e não mais uma iniciativa opcional de bem-estar.
  4. Impacta diretamente indicadores de gestão: Turnover, absenteísmo e produtividade têm relação direta com a saúde emocional do time, o que torna o investimento em prevenção uma decisão também financeira.
  5. Fortalece a marca empregadora: Empresas que tratam saúde mental com seriedade retêm talentos e se diferenciam em processos seletivos, especialmente entre profissionais mais jovens.
  6. Prepara líderes para agir antes da crise: Capacitar gestores para reconhecer sinais de sofrimento emocional evita que problemas silenciosos evoluam para afastamentos ou desligamentos.

15 ações de endomarketing para o Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma oportunidade importante para as empresas fortalecerem o cuidado com a saúde emocional dos times.

Mas para que as ações realmente façam sentido, é preciso ir além do laço amarelo no perfil ou das frases prontas nos murais.

A seguir, separamos 15 ideias de ações de endomarketing que podem ser aplicadas com sensibilidade, intencionalidade e escuta ativa:

1. Palestra com especialistas em saúde mental

Convidar profissionais qualificados para uma palestra Setembro Amarelo para empresas é uma das formas mais diretas e eficazes de abrir conversas importantes na organização. 

Mas para que essa ação seja realmente transformadora e não apenas mais um item na agenda é preciso ir além do modelo tradicional de palestra expositiva. 

A dica aqui é apostar em encontros com especialistas que tenham experiência prática em contextos corporativos, como psicólogos, psiquiatras ou terapeutas ocupacionais, e que consigam traduzir temas sensíveis de forma acessível e empática. 

A conversa pode abordar, por exemplo:

  • como reconhecer sinais de sofrimento emocional em colegas;
  • estratégias de cuidado no dia a dia;
  • onde buscar ajuda profissional.

Outra boa prática é adaptar o formato para a realidade da equipe, como rodadas menores, estilo roda de conversa, ou até palestras híbridas com espaço para perguntas anônimas podem gerar mais engajamento e segurança para os participantes.

Além disso, é importante lembrar que esse tipo de ação é ainda mais potente quando acompanhada de um movimento contínuo de escuta e acolhimento dentro da empresa. A palestra pode ser o ponto de partida, mas esse compromisso precisa seguir diariamente.

2. Criação de conteúdos educativos sobre saúde mental

Produzir conteúdos educativos é uma forma acessível e constante de manter o tema da saúde mental presente no dia a dia da empresa, especialmente durante o Setembro Amarelo.

Para isso, comece identificando os canais mais utilizados pela equipe: 

  • mural interno
  • e-mail, grupos de WhatsApp
  • intranet
  • TV corporativa
  • Slack, Teams ou outros.

Por que isso é importante? Porque o conteúdo precisa chegar onde as pessoas estão e falar a linguagem daquele ambiente. E nesse caso, os formatos também fazem toda a diferença:

  • Cards curtos com dicas de autocuidado ou sinais de alerta emocional;
  • Vídeos rápidos com profissionais convidados explicando temas como ansiedade, depressão ou sobrecarga;
  • Série de e-mails com reflexões e orientações práticas;
  • Mini e-books ou infográficos com roteiros de como agir em caso de crise emocional.

Um ponto importante é a curadoria técnica. Sempre que possível, envolva profissionais da saúde para garantir que as mensagens sejam corretas, éticas e respeitosas e use uma linguagem acolhedora, que convide à reflexão, não à exposição.

Que tal ficar por dentro do que mudou na NR-1 e saúde mental para as empresas? Assista o vídeo:

3. Promover pausas ativas com propósito

Falar em pausas no trabalho não é falar em “perder tempo”, mas em investir em bem-estar e, inclusive, em produtividade real.

Ainda assim, uma pesquisa publicada no Valor Econômico revelou que 60% dos trabalhadores brasileiros só fazem pausas quando conseguem ou raramente param durante o expediente.

Quase um terço (28%) já trocou de emprego por problemas de saúde mental, e 21% pensou em se afastar do trabalho pela mesma razão.

Esses dados escancaram como seguimos tratando o descanso como um luxo, quando, na verdade, ele é fundamental. Por isso, pequenos intervalos planejados ajudam o corpo e a mente a se reconectarem, sem exigir muito tempo nem grandes estruturas.

A diferença está em fazer isso com propósito. Em vez de rolar o feed do celular, vale testar:

  • Caminhar alguns minutos ao ar livre;
  • Fazer alongamentos para pescoço, ombros e coluna;
  • Respirar profundamente por 3 minutos;
  • Beber água ou um chá com atenção plena, sem telas.

Esse tipo de pausa ativa estimula o sistema nervoso parassimpático, responsável pela sensação de calma e recuperação, além de ajudar a prevenir dores físicas e melhorar o foco no retorno ao trabalho.

4. Parcerias com serviços de cuidado emocional

Outra opção para o Setembro Amarelo é criar parcerias com serviços especializados para garantir apoio psicológico aos funcionários, com acolhimento profissional, seguro e contínuo. Uma boa prática é mapear os recursos já disponíveis na rede pública:

Recurso O que oferece
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) Atendimento gratuito para sofrimento psíquico intenso, incluindo casos de uso de álcool e outras drogas
UBS (Unidades Básicas de Saúde) Consultas iniciais com clínicos, que encaminham para psicólogos e psiquiatras da rede
Clínicas-Escola de Psicologia Sessões gratuitas ou de valor social, com estudantes supervisionados por professores
RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) Integra os níveis de cuidado à saúde mental dentro do SUS
CVV (Centro de Valorização da Vida) Apoio emocional gratuito e sigiloso, 24h, pelo número 188 ou chat

Além disso, vale firmar parcerias com programas de prevenção e ferramentas de bem-estar emocional. Um ótimo exemplo é o portfólio de benefícios corporativos da Sólides, que inclui:

  • Atendimento psicológico digital e sessões de mindfulness;
  • Incentivo a hábitos saudáveis com nutrição personalizada;
  • Planos de saúde integrados com cuidado emocional e muito mais.

5. Reuniões 1:1 com frequência

Esse é um dos momentos mais potentes da liderança e, muitas vezes, subutilizado. A reunião 1:1 é uma conversa de pessoa para pessoa, um espaço seguro para que o colaborador se sinta ouvido, acolhido e, se necessário, apoiado.

Reuniões quinzenais de 20 a 30 minutos já são suficientes para criar um espaço seguro, desde que haja escuta ativa, empatia e uma real disposição para acolher o outro. Algumas perguntas que podem guiar esse momento:

  • Como você está, de verdade?
  • Tem algo te sobrecarregando ultimamente?
  • Em quais momentos do dia você sente mais ansiedade ou tensão?
  • O que tem feito bem para você nos últimos tempos?

Essas perguntas não precisam seguir um roteiro fixo, mas ajudam a quebrar o gelo e sinalizar que ali existe espaço para falar com liberdade, inclusive sobre assuntos pessoais.

6. Canal de escuta ou ouvidoria interna para acolhimento psicológico

Ter um canal de escuta ou uma ouvidoria interna estruturada é fundamental para a gestão de crises emocionais no ambiente de trabalho. 

Esse espaço deve funcionar como um ponto seguro e confidencial onde os colaboradores possam expressar suas angústias, preocupações ou até sinais de sofrimento, sem medo de julgamentos ou retaliações.

Para ser eficaz, o canal precisa ser acessível, fácil de usar e promovido constantemente pela liderança, mostrando que a empresa valoriza o bem-estar emocional. 

É importante também que quem receba essas demandas seja capacitado para identificar casos que precisam de encaminhamento profissional e para orientar o colaborador de forma acolhedora e sensível.

Além disso, um canal assim ajuda a empresa a mapear, de forma anônima e agregada, tendências ou fatores que impactam a saúde mental do time, permitindo a criação de estratégias preventivas e intervenções assertivas.

7. Benefícios voltados para saúde mental e bem-estar

Um programa de saúde mental para colaboradores que realmente faça diferença precisa ir além do básico. 

Oferecer benefícios como subsídio para terapia, dias de folga mental ou licença emocional demonstra um compromisso concreto da empresa com o equilíbrio emocional da equipe.

Por exemplo, o subsídio para terapia permite que o colaborador tenha acesso a acompanhamento psicológico sem barreiras financeiras, facilitando a busca por ajuda. 

Já os dias de folga ou day off funcionam como um “respiro” estratégico para quem está sobrecarregado, prevenindo o esgotamento.

Além disso, integrar esses benefícios a uma comunicação transparente e contínua ajuda a reduzir o estigma em torno do tema e estimula as pessoas a priorizarem o cuidado consigo mesmas.

8. Mural colaborativo de apoio e encorajamento entre colegas

Um mural colaborativo, seja físico ou digital, é uma ferramenta simples, mas bastante importante, para fortalecer o sentimento de pertencimento e cuidado entre os colaboradores.

Ao permitir mensagens anônimas, cartas abertas ou post-its digitais, o mural se torna um espaço para as pessoas expressarem apoio, gratidão, palavras de incentivo ou até compartilhem desafios de forma leve e acolhedora.

Esse tipo de iniciativa cria uma rede de apoio informal que pode ser um diferencial importante para a saúde emocional no ambiente corporativo, pois estimula a empatia e aproxima os colegas, mesmo em equipes remotas ou híbridas.

9. Desenvolvimento de líderes para identificação precoce de sinais emocionais

Desenvolver líderes para identificar sinais precoces de sofrimento emocional vai além de treinamentos pontuais no Setembro Amarelo, é preciso formar uma escuta ativa, observadora e empática no dia a dia.

Para isso, comece capacitando os gestores a perceber mudanças sutis de comportamento, tais como:

  • um colaborador mais quieto que o habitual
  • atrasos recorrentes
  • queda no desempenho 
  • até excesso de irritabilidade podem ser sinais de alerta.

A sensibilidade está justamente em notar o que foge do padrão daquela pessoa. Além disso, é importante ensinar os líderes a iniciar conversas informais e abertas. 

Em vez de ignorar o desconforto, uma simples pergunta como “notei que você anda mais calado, está tudo bem?” pode abrir espaço para um diálogo importante.

Outro ponto é garantir que os líderes conheçam os canais de apoio emocional da empresa e saibam orientar os colaboradores de forma segura e acolhedora.

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10. Semana de cuidado emocional no Setembro Amarelo

Promover uma Semana de Cuidado Emocional pode ser um marco importante, desde que vá além de um evento isolado. O segredo está em desenhar uma programação que combine escuta, informação e conexão genuína com os colaboradores.

Monte a agenda com diversidade de formatos e vozes. Inclua:

  • Rodas de conversa com especialistas em saúde mental;
  • Sessões de relaxamento, como meditação guiada, respiração consciente ou quick massage;
  • Espaços seguros para trocas entre pares;
  • Conteúdos curtos distribuídos pelos canais internos (vídeos, áudios ou cards).

Para garantir continuidade, aproveite o evento como ponto de partida para ações futuras e aplique uma pesquisa ao final da semana para entender percepções, temas sensíveis e sugestões.

11. Materiais informativos com linguagem acessível 

A eficácia dos materiais informativos sobre saúde mental está diretamente ligada à forma como são comunicados. Por isso, prefira uma linguagem direta, acolhedora e sem jargões. 

Alguns exemplos são:

  • Cartões com perguntas diretas: “Sente cansaço constante?”, “Mudanças no humor?”. Distribua em crachás, murais ou kits físicos;
  • E-books temáticos e curtos: “Ansiedade no trabalho: o que fazer?” ou “5 formas simples de cuidar da saúde emocional”;
  • Infográficos leves: conceituando temas como burnout, estresse e luto com linguagem acolhedora e exemplos reais (anonimizados);
  • Carrosséis digitais: adaptados para celular e enviados por app interno ou WhatsApp.

O diferencial está em adaptar os formatos aos hábitos da equipe. Por exemplo, se a maioria acessa o celular, pense em PDFs leves ou carrosséis na intranet da empresa.

12. Oficinas ou grupos de apoio no Setembro Amarelo

Oficinas e grupos de apoio são potentes quando oferecem escuta qualificada e identificação entre os participantes. Para isso, vá além da proposta genérica e delimite temas específicos:

  • “Ansiedade no trabalho: estratégias para lidar com a mente acelerada”
  • “Como equilibrar produtividade e autocuidado”
  • “Autoconhecimento para melhorar relações no trabalho”

Esses encontros podem acontecer quinzenalmente, mas principalmente na semana do Setembro Amarelo, com mediação de psicólogos e profissionais de RH.

Durante as oficinas, utilize dinâmicas simples como círculos de fala, exercícios de respiração consciente ou compartilhamento de experiências guiadas. 

13. Mapeamento interno de riscos psicossociais

A gestão de crises emocionais no ambiente de trabalho começa com a identificação de fatores que impactam diretamente o bem-estar dos colaboradores. 

Dessa forma, o mapeamento de riscos psicossociais pode ser feito por meio de pesquisas anônimas, escutas qualificadas e análise de indicadores como absenteísmo, turnover e pedidos de afastamento. 

O RH pode aplicar diagnósticos periódicos usando metodologias como o Inventário de Riscos Psicossociais (IRPS), com a ajuda de psicólogos, ou formulários personalizados com apoio da liderança. 

O ideal é cruzar dados qualitativos e quantitativos para entender quais áreas ou equipes estão mais suscetíveis a episódios de estresse, ansiedade ou sobrecarga.

14. Dinâmica de rede de apoio entre colaboradores

Criar uma rede de apoio entre colaboradores é uma forma estratégica de incentivar o cuidado mútuo e reduzir o estigma em torno da saúde mental. 

A proposta pode ser aplicada em formato de duplas de apoio emocional, grupos por afinidade ou espaços periódicos de escuta entre colegas.

Portanto, o RH pode organizar um programa voluntário no qual colaboradores se inscrevem para acompanhar uns aos outros durante o mês. 

As duplas ou trios podem receber orientações básicas sobre escuta empática, sigilo e encaminhamentos — sem sobrecarregar ninguém. O objetivo é promover vínculos mais humanos e identificar sinais de alerta com mais agilidade.

15. Campanha com foco em linguagem não violenta e comunicação empática

Entre as ações para o Setembro Amarelo, campanhas de conscientização que ensinam a conversar com sensibilidade são tão importantes quanto as que divulgam sinais de alerta. 

Promover uma cultura de linguagem não violenta pode ajudar colaboradores a acolherem uns aos outros com mais respeito, sem julgamentos ou silenciamentos.

Assim, é possível organizar oficinas de comunicação empática, palestras com especialistas ou até cartões educativos com exemplos de frases que acolhem e frases que afastam. 

Frases como “tente não pensar nisso” ou “você está exagerando” devem ser substituídas por “você quer conversar?” ou “o que posso fazer por você agora?”. 

Essas campanhas também podem incluir vídeos curtos com simulações de conversas difíceis, conteúdos sobre escuta ativa e reflexões sobre o impacto das palavras no ambiente de trabalho. 

Qual o papel do RH durante o Setembro Amarelo?

O RH tem um papel importante durante o Setembro Amarelo para o cuidado das pessoas e promoção de um ambiente de escuta, acolhimento e informação. 

É o momento ideal para reforçar que a saúde mental no trabalho importa e que a empresa está atenta a isso. 

Durante o mês da campanha, é possível abrir canais de diálogo, mapear sinais de alerta e fortalecer a confiança entre líderes e equipes. 

Também é função do RH analisar os seguintes indicadores de saúde mental:

E criar iniciativas que previnam o adoecimento emocional. Isso pode incluir trilhas de conteúdos educativos, treinamentos sobre escuta ativa e criação de uma rede de apoio interna.

O que a NR-1 exige das empresas sobre saúde mental?

A NR-1 atualizada, vigente desde maio de 2026, exige que as empresas façam o gerenciamento formal de riscos psicossociais, ao lado dos riscos físicos, químicos e ergonômicos que a norma já cobria.

Isso inclui identificar, documentar e tratar fatores como sobrecarga, assédio moral e pressão excessiva por metas como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) da empresa.

Sabemos que apenas 51% das empresas têm um plano de adequação à NR-1 em andamento, o que ainda deixa quase metade do mercado exposta a autuações e, mais importante, sem estrutura formal para prevenir crises emocionais antes que elas aconteçam.

Descumprir a norma expõe a empresa a autuações do Ministério do Trabalho, mas o risco vai além da multa.

Sem o mapeamento formal exigido pela NR-1, o RH perde a visibilidade sobre onde o sofrimento emocional está concentrado no time, e só reage depois que o problema já virou afastamento ou desligamento.

Como o RH pode identificar os fatores de risco?

Identificar riscos psicossociais exige cruzar métodos qualitativos e quantitativos, não depender de um único instrumento.

A tabela abaixo resume as principais fontes de dados que o RH pode combinar:

Método O que revela Frequência recomendada
Pesquisa anônima de riscos psicossociais (ex.: IRPS) Percepção direta dos colaboradores sobre sobrecarga, assédio e pressão Semestral ou anual
Indicadores de absenteísmo Faltas recorrentes que podem sinalizar esgotamento ou adoecimento Mensal
Taxa de turnover por área Setores com saída constante de pessoas costumam concentrar fatores de risco Mensal
Pedidos de afastamento por saúde Volume e recorrência de afastamentos médicos relacionados à saúde mental Mensal
Escuta ativa em reuniões 1:1 Sinais individuais que não aparecem em métricas agregadas Quinzenal
Canal de ouvidoria interna Relatos espontâneos, muitas vezes anônimos, sobre o ambiente de trabalho Contínua

Nenhum desses métodos funciona sozinho, pois uma taxa de turnover alta em um setor, por exemplo, só confirma um problema estrutural quando cruzada com o que a pesquisa de riscos psicossociais e as reuniões de escuta já vinham sinalizando.

O RH pode aplicar o Inventário de Riscos Psicossociais (IRPS) com apoio de psicólogos, ou formulários personalizados junto à liderança.

Vale a pena aprofundar quais são os principais riscos psicossociais antes de montar o instrumento de pesquisa, para garantir que a empresa não deixe fatores relevantes de fora.

Cruzar esses dados revela quais áreas estão mais suscetíveis a episódios de estresse, ansiedade ou sobrecarga, e orienta onde concentrar as ações preventivas primeiro.

Quais fatores agravam a saúde mental e como a empresa cuida da equipe?

Excesso de trabalho, pressão por resultados, falta de reconhecimento e ausência de apoio emocional aumentam o risco de burnout e de burnon, estados de esgotamento extremo que o RH precisa monitorar continuamente, com atenção que vai muito além do mês de setembro.

Uma gestão de RH e saúde mental consistente combina escuta ativa, canais de apoio psicológico e programas de prevenção.

Isso exige um olhar atento para sinais de sofrimento emocional, treinar lideranças e garantir que todos saibam onde buscar ajuda.

O que fazer se alguém precisar de ajuda?

Se houver suspeita ou sinal de sofrimento intenso, o RH deve agir com cuidado e empatia. Converse de forma respeitosa, indique apoio e nunca ignore o que foi relatado. 

Reforce a disponibilidade de atendimento psicológico interno (quando houver) e divulgue canais de emergência como o CVV (188), CAPS e serviços de saúde locais.

Inclusive, a empresa também pode criar canais internos de escuta ou grupos de apoio como forma de fortalecimento do vínculo. 

Transforme o Setembro Amarelo em cultura o ano todo

Prevenção ao suicídio e cuidado com a saúde mental são compromissos diários, não campanhas de um mês. O papel do RH vai além de ações pontuais: envolve construir uma cultura de acolhimento, garantir apoio psicológico acessível, engajar líderes e sustentar o bem-estar corporativo continuamente.

Para dar o próximo passo de forma estruturada, conheça o kit para o Setembro Amarelo da Sólides e tenha em mãos os materiais para implementar essas ações na sua empresa.

Perguntas frequentes sobre Setembro Amarelo

O que é o Setembro Amarelo?

É a campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio, realizada em todo o Brasil durante setembro, com o dia 10 marcado como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Qual o objetivo do Setembro Amarelo?

Promover o diálogo sobre saúde mental, reduzir o estigma em torno do sofrimento emocional e incentivar a busca por ajuda profissional.

Como o RH deve agir no Setembro Amarelo?

Estruturando ações contínuas de escuta, capacitando líderes para identificar sinais de alerta e divulgando canais de apoio como o CVV (188), além de monitorar indicadores como absenteísmo e turnover.

O que falar no Setembro Amarelo?

Fale sobre acolhimento, escuta ativa, saúde mental no trabalho e formas de apoio disponíveis, evitando frases que minimizem o sofrimento do outro.

A NR-1 exige ações de saúde mental das empresas?

Sim. A NR-1 atualizada, vigente desde maio de 2026, exige o gerenciamento formal de riscos psicossociais, o que torna o cuidado com a saúde mental uma obrigação de compliance, além de uma boa prática de gestão de pessoas.

Artigo originalmente publicado por Sabrina Camilo em
2026-09-15 09:43:00 no site

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Fonte: solides.com.br

No Brasil, quase 14 mil vidas se perdem todos os anos por essa causa, segundo a Organização Mundial da Saúde. O Setembro Amarelo existe para mudar esse número.

Dentro das empresas, cabe ao RH transformar a campanha em cuidado real, com ações que continuam depois do dia 10, e não em um post esquecido no mural.

Esse texto reúne o significado da campanha, 15 ações de endomarketing testadas por times de RH e o papel concreto que a área deve assumir durante e depois de setembro.

Segundo o Mapa do RH & DP 2026, pesquisa realizada pela Sólides, 77% das empresas brasileiras já estão cientes das novas diretrizes da NR-1 sobre riscos psicossociais, e apenas 51% têm um plano de adequação em andamento.

O tema deixou de ser sensibilização pontual para virar obrigação de gestão.

A seguir, veja como estruturar ações que realmente chegam até o colaborador e o que o RH precisa monitorar o ano todo, não só em setembro.

O que é o Setembro Amarelo?

Setembro Amarelo é a campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio, criada em 2015 e marcada pelo dia 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Ela existe para ampliar o diálogo sobre saúde mental e reduzir o silêncio em torno de quem enfrenta crises emocionais.

Para o RH, é uma data que deve constar no calendário do RH com o mesmo peso de outras obrigações da área, porque coloca a saúde mental no trabalho na pauta oficial da empresa.

A campanha surgiu a partir da história de Mike Emme, jovem norte-americano que tirou a própria vida em 1994.

Amigos e familiares criaram o movimento “Yellow Ribbon” para incentivar o diálogo aberto sobre sofrimento emocional.

É a origem do laço amarelo que hoje circula em empresas do mundo todo.

Quem enfrenta dificuldades emocionais frequentemente não sabe como pedir ajuda, ou tem medo de pedir.

Escuta ativa, abertura para falar sobre sentimentos e cuidado emocional constante salvam vidas, inclusive dentro do ambiente corporativo.

RH e saúde mental: como lidar com colaboradores que precisam de ajuda?

Importância da campanha do Setembro Amarelo nas empresas

O Setembro Amarelo importa para as empresas porque coloca no calendário oficial um tema que, sem essa data, muitas organizações adiam indefinidamente.

Veja os principais motivos para o RH priorizar a campanha:

  1. Reduz o estigma em torno da saúde mental: Falar abertamente sobre sofrimento emocional no ambiente de trabalho diminui o medo de julgamento e facilita que colaboradores peçam ajuda antes de uma crise se agravar.
  2. Cria uma porta de entrada para políticas permanentes: A campanha funciona como gatilho para implementar canais de escuta, benefícios de saúde mental e treinamentos de liderança que continuam ativos o ano todo.
  3. Atende a uma exigência legal: A NR-1 atualizada torna o gerenciamento de riscos psicossociais uma obrigação, e não mais uma iniciativa opcional de bem-estar.
  4. Impacta diretamente indicadores de gestão: Turnover, absenteísmo e produtividade têm relação direta com a saúde emocional do time, o que torna o investimento em prevenção uma decisão também financeira.
  5. Fortalece a marca empregadora: Empresas que tratam saúde mental com seriedade retêm talentos e se diferenciam em processos seletivos, especialmente entre profissionais mais jovens.
  6. Prepara líderes para agir antes da crise: Capacitar gestores para reconhecer sinais de sofrimento emocional evita que problemas silenciosos evoluam para afastamentos ou desligamentos.

15 ações de endomarketing para o Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma oportunidade importante para as empresas fortalecerem o cuidado com a saúde emocional dos times.

Mas para que as ações realmente façam sentido, é preciso ir além do laço amarelo no perfil ou das frases prontas nos murais.

A seguir, separamos 15 ideias de ações de endomarketing que podem ser aplicadas com sensibilidade, intencionalidade e escuta ativa:

1. Palestra com especialistas em saúde mental

Convidar profissionais qualificados para uma palestra Setembro Amarelo para empresas é uma das formas mais diretas e eficazes de abrir conversas importantes na organização. 

Mas para que essa ação seja realmente transformadora e não apenas mais um item na agenda é preciso ir além do modelo tradicional de palestra expositiva. 

A dica aqui é apostar em encontros com especialistas que tenham experiência prática em contextos corporativos, como psicólogos, psiquiatras ou terapeutas ocupacionais, e que consigam traduzir temas sensíveis de forma acessível e empática. 

A conversa pode abordar, por exemplo:

  • como reconhecer sinais de sofrimento emocional em colegas;
  • estratégias de cuidado no dia a dia;
  • onde buscar ajuda profissional.

Outra boa prática é adaptar o formato para a realidade da equipe, como rodadas menores, estilo roda de conversa, ou até palestras híbridas com espaço para perguntas anônimas podem gerar mais engajamento e segurança para os participantes.

Além disso, é importante lembrar que esse tipo de ação é ainda mais potente quando acompanhada de um movimento contínuo de escuta e acolhimento dentro da empresa. A palestra pode ser o ponto de partida, mas esse compromisso precisa seguir diariamente.

2. Criação de conteúdos educativos sobre saúde mental

Produzir conteúdos educativos é uma forma acessível e constante de manter o tema da saúde mental presente no dia a dia da empresa, especialmente durante o Setembro Amarelo.

Para isso, comece identificando os canais mais utilizados pela equipe: 

  • mural interno
  • e-mail, grupos de WhatsApp
  • intranet
  • TV corporativa
  • Slack, Teams ou outros.

Por que isso é importante? Porque o conteúdo precisa chegar onde as pessoas estão e falar a linguagem daquele ambiente. E nesse caso, os formatos também fazem toda a diferença:

  • Cards curtos com dicas de autocuidado ou sinais de alerta emocional;
  • Vídeos rápidos com profissionais convidados explicando temas como ansiedade, depressão ou sobrecarga;
  • Série de e-mails com reflexões e orientações práticas;
  • Mini e-books ou infográficos com roteiros de como agir em caso de crise emocional.

Um ponto importante é a curadoria técnica. Sempre que possível, envolva profissionais da saúde para garantir que as mensagens sejam corretas, éticas e respeitosas e use uma linguagem acolhedora, que convide à reflexão, não à exposição.

Que tal ficar por dentro do que mudou na NR-1 e saúde mental para as empresas? Assista o vídeo:

3. Promover pausas ativas com propósito

Falar em pausas no trabalho não é falar em “perder tempo”, mas em investir em bem-estar e, inclusive, em produtividade real.

Ainda assim, uma pesquisa publicada no Valor Econômico revelou que 60% dos trabalhadores brasileiros só fazem pausas quando conseguem ou raramente param durante o expediente.

Quase um terço (28%) já trocou de emprego por problemas de saúde mental, e 21% pensou em se afastar do trabalho pela mesma razão.

Esses dados escancaram como seguimos tratando o descanso como um luxo, quando, na verdade, ele é fundamental. Por isso, pequenos intervalos planejados ajudam o corpo e a mente a se reconectarem, sem exigir muito tempo nem grandes estruturas.

A diferença está em fazer isso com propósito. Em vez de rolar o feed do celular, vale testar:

  • Caminhar alguns minutos ao ar livre;
  • Fazer alongamentos para pescoço, ombros e coluna;
  • Respirar profundamente por 3 minutos;
  • Beber água ou um chá com atenção plena, sem telas.

Esse tipo de pausa ativa estimula o sistema nervoso parassimpático, responsável pela sensação de calma e recuperação, além de ajudar a prevenir dores físicas e melhorar o foco no retorno ao trabalho.

4. Parcerias com serviços de cuidado emocional

Outra opção para o Setembro Amarelo é criar parcerias com serviços especializados para garantir apoio psicológico aos funcionários, com acolhimento profissional, seguro e contínuo. Uma boa prática é mapear os recursos já disponíveis na rede pública:

Recurso O que oferece
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) Atendimento gratuito para sofrimento psíquico intenso, incluindo casos de uso de álcool e outras drogas
UBS (Unidades Básicas de Saúde) Consultas iniciais com clínicos, que encaminham para psicólogos e psiquiatras da rede
Clínicas-Escola de Psicologia Sessões gratuitas ou de valor social, com estudantes supervisionados por professores
RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) Integra os níveis de cuidado à saúde mental dentro do SUS
CVV (Centro de Valorização da Vida) Apoio emocional gratuito e sigiloso, 24h, pelo número 188 ou chat

Além disso, vale firmar parcerias com programas de prevenção e ferramentas de bem-estar emocional. Um ótimo exemplo é o portfólio de benefícios corporativos da Sólides, que inclui:

  • Atendimento psicológico digital e sessões de mindfulness;
  • Incentivo a hábitos saudáveis com nutrição personalizada;
  • Planos de saúde integrados com cuidado emocional e muito mais.

5. Reuniões 1:1 com frequência

Esse é um dos momentos mais potentes da liderança e, muitas vezes, subutilizado. A reunião 1:1 é uma conversa de pessoa para pessoa, um espaço seguro para que o colaborador se sinta ouvido, acolhido e, se necessário, apoiado.

Reuniões quinzenais de 20 a 30 minutos já são suficientes para criar um espaço seguro, desde que haja escuta ativa, empatia e uma real disposição para acolher o outro. Algumas perguntas que podem guiar esse momento:

  • Como você está, de verdade?
  • Tem algo te sobrecarregando ultimamente?
  • Em quais momentos do dia você sente mais ansiedade ou tensão?
  • O que tem feito bem para você nos últimos tempos?

Essas perguntas não precisam seguir um roteiro fixo, mas ajudam a quebrar o gelo e sinalizar que ali existe espaço para falar com liberdade, inclusive sobre assuntos pessoais.

6. Canal de escuta ou ouvidoria interna para acolhimento psicológico

Ter um canal de escuta ou uma ouvidoria interna estruturada é fundamental para a gestão de crises emocionais no ambiente de trabalho. 

Esse espaço deve funcionar como um ponto seguro e confidencial onde os colaboradores possam expressar suas angústias, preocupações ou até sinais de sofrimento, sem medo de julgamentos ou retaliações.

Para ser eficaz, o canal precisa ser acessível, fácil de usar e promovido constantemente pela liderança, mostrando que a empresa valoriza o bem-estar emocional. 

É importante também que quem receba essas demandas seja capacitado para identificar casos que precisam de encaminhamento profissional e para orientar o colaborador de forma acolhedora e sensível.

Além disso, um canal assim ajuda a empresa a mapear, de forma anônima e agregada, tendências ou fatores que impactam a saúde mental do time, permitindo a criação de estratégias preventivas e intervenções assertivas.

7. Benefícios voltados para saúde mental e bem-estar

Um programa de saúde mental para colaboradores que realmente faça diferença precisa ir além do básico. 

Oferecer benefícios como subsídio para terapia, dias de folga mental ou licença emocional demonstra um compromisso concreto da empresa com o equilíbrio emocional da equipe.

Por exemplo, o subsídio para terapia permite que o colaborador tenha acesso a acompanhamento psicológico sem barreiras financeiras, facilitando a busca por ajuda. 

Já os dias de folga ou day off funcionam como um “respiro” estratégico para quem está sobrecarregado, prevenindo o esgotamento.

Além disso, integrar esses benefícios a uma comunicação transparente e contínua ajuda a reduzir o estigma em torno do tema e estimula as pessoas a priorizarem o cuidado consigo mesmas.

8. Mural colaborativo de apoio e encorajamento entre colegas

Um mural colaborativo, seja físico ou digital, é uma ferramenta simples, mas bastante importante, para fortalecer o sentimento de pertencimento e cuidado entre os colaboradores.

Ao permitir mensagens anônimas, cartas abertas ou post-its digitais, o mural se torna um espaço para as pessoas expressarem apoio, gratidão, palavras de incentivo ou até compartilhem desafios de forma leve e acolhedora.

Esse tipo de iniciativa cria uma rede de apoio informal que pode ser um diferencial importante para a saúde emocional no ambiente corporativo, pois estimula a empatia e aproxima os colegas, mesmo em equipes remotas ou híbridas.

9. Desenvolvimento de líderes para identificação precoce de sinais emocionais

Desenvolver líderes para identificar sinais precoces de sofrimento emocional vai além de treinamentos pontuais no Setembro Amarelo, é preciso formar uma escuta ativa, observadora e empática no dia a dia.

Para isso, comece capacitando os gestores a perceber mudanças sutis de comportamento, tais como:

  • um colaborador mais quieto que o habitual
  • atrasos recorrentes
  • queda no desempenho 
  • até excesso de irritabilidade podem ser sinais de alerta.

A sensibilidade está justamente em notar o que foge do padrão daquela pessoa. Além disso, é importante ensinar os líderes a iniciar conversas informais e abertas. 

Em vez de ignorar o desconforto, uma simples pergunta como “notei que você anda mais calado, está tudo bem?” pode abrir espaço para um diálogo importante.

Outro ponto é garantir que os líderes conheçam os canais de apoio emocional da empresa e saibam orientar os colaboradores de forma segura e acolhedora.

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10. Semana de cuidado emocional no Setembro Amarelo

Promover uma Semana de Cuidado Emocional pode ser um marco importante, desde que vá além de um evento isolado. O segredo está em desenhar uma programação que combine escuta, informação e conexão genuína com os colaboradores.

Monte a agenda com diversidade de formatos e vozes. Inclua:

  • Rodas de conversa com especialistas em saúde mental;
  • Sessões de relaxamento, como meditação guiada, respiração consciente ou quick massage;
  • Espaços seguros para trocas entre pares;
  • Conteúdos curtos distribuídos pelos canais internos (vídeos, áudios ou cards).

Para garantir continuidade, aproveite o evento como ponto de partida para ações futuras e aplique uma pesquisa ao final da semana para entender percepções, temas sensíveis e sugestões.

11. Materiais informativos com linguagem acessível 

A eficácia dos materiais informativos sobre saúde mental está diretamente ligada à forma como são comunicados. Por isso, prefira uma linguagem direta, acolhedora e sem jargões. 

Alguns exemplos são:

  • Cartões com perguntas diretas: “Sente cansaço constante?”, “Mudanças no humor?”. Distribua em crachás, murais ou kits físicos;
  • E-books temáticos e curtos: “Ansiedade no trabalho: o que fazer?” ou “5 formas simples de cuidar da saúde emocional”;
  • Infográficos leves: conceituando temas como burnout, estresse e luto com linguagem acolhedora e exemplos reais (anonimizados);
  • Carrosséis digitais: adaptados para celular e enviados por app interno ou WhatsApp.

O diferencial está em adaptar os formatos aos hábitos da equipe. Por exemplo, se a maioria acessa o celular, pense em PDFs leves ou carrosséis na intranet da empresa.

12. Oficinas ou grupos de apoio no Setembro Amarelo

Oficinas e grupos de apoio são potentes quando oferecem escuta qualificada e identificação entre os participantes. Para isso, vá além da proposta genérica e delimite temas específicos:

  • “Ansiedade no trabalho: estratégias para lidar com a mente acelerada”
  • “Como equilibrar produtividade e autocuidado”
  • “Autoconhecimento para melhorar relações no trabalho”

Esses encontros podem acontecer quinzenalmente, mas principalmente na semana do Setembro Amarelo, com mediação de psicólogos e profissionais de RH.

Durante as oficinas, utilize dinâmicas simples como círculos de fala, exercícios de respiração consciente ou compartilhamento de experiências guiadas. 

13. Mapeamento interno de riscos psicossociais

A gestão de crises emocionais no ambiente de trabalho começa com a identificação de fatores que impactam diretamente o bem-estar dos colaboradores. 

Dessa forma, o mapeamento de riscos psicossociais pode ser feito por meio de pesquisas anônimas, escutas qualificadas e análise de indicadores como absenteísmo, turnover e pedidos de afastamento. 

O RH pode aplicar diagnósticos periódicos usando metodologias como o Inventário de Riscos Psicossociais (IRPS), com a ajuda de psicólogos, ou formulários personalizados com apoio da liderança. 

O ideal é cruzar dados qualitativos e quantitativos para entender quais áreas ou equipes estão mais suscetíveis a episódios de estresse, ansiedade ou sobrecarga.

14. Dinâmica de rede de apoio entre colaboradores

Criar uma rede de apoio entre colaboradores é uma forma estratégica de incentivar o cuidado mútuo e reduzir o estigma em torno da saúde mental. 

A proposta pode ser aplicada em formato de duplas de apoio emocional, grupos por afinidade ou espaços periódicos de escuta entre colegas.

Portanto, o RH pode organizar um programa voluntário no qual colaboradores se inscrevem para acompanhar uns aos outros durante o mês. 

As duplas ou trios podem receber orientações básicas sobre escuta empática, sigilo e encaminhamentos — sem sobrecarregar ninguém. O objetivo é promover vínculos mais humanos e identificar sinais de alerta com mais agilidade.

15. Campanha com foco em linguagem não violenta e comunicação empática

Entre as ações para o Setembro Amarelo, campanhas de conscientização que ensinam a conversar com sensibilidade são tão importantes quanto as que divulgam sinais de alerta. 

Promover uma cultura de linguagem não violenta pode ajudar colaboradores a acolherem uns aos outros com mais respeito, sem julgamentos ou silenciamentos.

Assim, é possível organizar oficinas de comunicação empática, palestras com especialistas ou até cartões educativos com exemplos de frases que acolhem e frases que afastam. 

Frases como “tente não pensar nisso” ou “você está exagerando” devem ser substituídas por “você quer conversar?” ou “o que posso fazer por você agora?”. 

Essas campanhas também podem incluir vídeos curtos com simulações de conversas difíceis, conteúdos sobre escuta ativa e reflexões sobre o impacto das palavras no ambiente de trabalho. 

Qual o papel do RH durante o Setembro Amarelo?

O RH tem um papel importante durante o Setembro Amarelo para o cuidado das pessoas e promoção de um ambiente de escuta, acolhimento e informação. 

É o momento ideal para reforçar que a saúde mental no trabalho importa e que a empresa está atenta a isso. 

Durante o mês da campanha, é possível abrir canais de diálogo, mapear sinais de alerta e fortalecer a confiança entre líderes e equipes. 

Também é função do RH analisar os seguintes indicadores de saúde mental:

E criar iniciativas que previnam o adoecimento emocional. Isso pode incluir trilhas de conteúdos educativos, treinamentos sobre escuta ativa e criação de uma rede de apoio interna.

O que a NR-1 exige das empresas sobre saúde mental?

A NR-1 atualizada, vigente desde maio de 2026, exige que as empresas façam o gerenciamento formal de riscos psicossociais, ao lado dos riscos físicos, químicos e ergonômicos que a norma já cobria.

Isso inclui identificar, documentar e tratar fatores como sobrecarga, assédio moral e pressão excessiva por metas como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) da empresa.

Sabemos que apenas 51% das empresas têm um plano de adequação à NR-1 em andamento, o que ainda deixa quase metade do mercado exposta a autuações e, mais importante, sem estrutura formal para prevenir crises emocionais antes que elas aconteçam.

Descumprir a norma expõe a empresa a autuações do Ministério do Trabalho, mas o risco vai além da multa.

Sem o mapeamento formal exigido pela NR-1, o RH perde a visibilidade sobre onde o sofrimento emocional está concentrado no time, e só reage depois que o problema já virou afastamento ou desligamento.

Como o RH pode identificar os fatores de risco?

Identificar riscos psicossociais exige cruzar métodos qualitativos e quantitativos, não depender de um único instrumento.

A tabela abaixo resume as principais fontes de dados que o RH pode combinar:

Método O que revela Frequência recomendada
Pesquisa anônima de riscos psicossociais (ex.: IRPS) Percepção direta dos colaboradores sobre sobrecarga, assédio e pressão Semestral ou anual
Indicadores de absenteísmo Faltas recorrentes que podem sinalizar esgotamento ou adoecimento Mensal
Taxa de turnover por área Setores com saída constante de pessoas costumam concentrar fatores de risco Mensal
Pedidos de afastamento por saúde Volume e recorrência de afastamentos médicos relacionados à saúde mental Mensal
Escuta ativa em reuniões 1:1 Sinais individuais que não aparecem em métricas agregadas Quinzenal
Canal de ouvidoria interna Relatos espontâneos, muitas vezes anônimos, sobre o ambiente de trabalho Contínua

Nenhum desses métodos funciona sozinho, pois uma taxa de turnover alta em um setor, por exemplo, só confirma um problema estrutural quando cruzada com o que a pesquisa de riscos psicossociais e as reuniões de escuta já vinham sinalizando.

O RH pode aplicar o Inventário de Riscos Psicossociais (IRPS) com apoio de psicólogos, ou formulários personalizados junto à liderança.

Vale a pena aprofundar quais são os principais riscos psicossociais antes de montar o instrumento de pesquisa, para garantir que a empresa não deixe fatores relevantes de fora.

Cruzar esses dados revela quais áreas estão mais suscetíveis a episódios de estresse, ansiedade ou sobrecarga, e orienta onde concentrar as ações preventivas primeiro.

Quais fatores agravam a saúde mental e como a empresa cuida da equipe?

Excesso de trabalho, pressão por resultados, falta de reconhecimento e ausência de apoio emocional aumentam o risco de burnout e de burnon, estados de esgotamento extremo que o RH precisa monitorar continuamente, com atenção que vai muito além do mês de setembro.

Uma gestão de RH e saúde mental consistente combina escuta ativa, canais de apoio psicológico e programas de prevenção.

Isso exige um olhar atento para sinais de sofrimento emocional, treinar lideranças e garantir que todos saibam onde buscar ajuda.

O que fazer se alguém precisar de ajuda?

Se houver suspeita ou sinal de sofrimento intenso, o RH deve agir com cuidado e empatia. Converse de forma respeitosa, indique apoio e nunca ignore o que foi relatado. 

Reforce a disponibilidade de atendimento psicológico interno (quando houver) e divulgue canais de emergência como o CVV (188), CAPS e serviços de saúde locais.

Inclusive, a empresa também pode criar canais internos de escuta ou grupos de apoio como forma de fortalecimento do vínculo. 

Transforme o Setembro Amarelo em cultura o ano todo

Prevenção ao suicídio e cuidado com a saúde mental são compromissos diários, não campanhas de um mês. O papel do RH vai além de ações pontuais: envolve construir uma cultura de acolhimento, garantir apoio psicológico acessível, engajar líderes e sustentar o bem-estar corporativo continuamente.

Para dar o próximo passo de forma estruturada, conheça o kit para o Setembro Amarelo da Sólides e tenha em mãos os materiais para implementar essas ações na sua empresa.

Perguntas frequentes sobre Setembro Amarelo

O que é o Setembro Amarelo?

É a campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio, realizada em todo o Brasil durante setembro, com o dia 10 marcado como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Qual o objetivo do Setembro Amarelo?

Promover o diálogo sobre saúde mental, reduzir o estigma em torno do sofrimento emocional e incentivar a busca por ajuda profissional.

Como o RH deve agir no Setembro Amarelo?

Estruturando ações contínuas de escuta, capacitando líderes para identificar sinais de alerta e divulgando canais de apoio como o CVV (188), além de monitorar indicadores como absenteísmo e turnover.

O que falar no Setembro Amarelo?

Fale sobre acolhimento, escuta ativa, saúde mental no trabalho e formas de apoio disponíveis, evitando frases que minimizem o sofrimento do outro.

A NR-1 exige ações de saúde mental das empresas?

Sim. A NR-1 atualizada, vigente desde maio de 2026, exige o gerenciamento formal de riscos psicossociais, o que torna o cuidado com a saúde mental uma obrigação de compliance, além de uma boa prática de gestão de pessoas.

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