o que é, como calcular e qual o impacto nas empresas


Você sabe qual é o impacto real do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) na sua empresa? Em 2024, o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho e mais de 60% desses casos geraram afastamentos de até 15 dias.

A verdade é que o FAP pode tanto aumentar os custos da folha, quanto se tornar uma oportunidade para fortalecer a gestão de riscos. Neste artigo, vamos simplificar tudo sobre ele, como é calculado e como usar a prevenção de acidentes a favor do seu negócio. Boa leitura!

O que é o Fator Acidentário de Prevenção (FAP)?

O Fator Acidentário de Prevenção, também conhecido como FAP, é um índice utilizado para ajustar os custos que as empresas pagam relacionados a acidentes e doenças ocupacionais

Ele funciona como um multiplicador que varia de 0,5 a 2, aplicado sobre a alíquota do Risco Ambiental do Trabalho (RAT). Mas, na prática, o resultado dessa multiplicação define o valor que a empresa deve recolher ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS)

Esse recurso serve para cobrir despesas da Previdência com afastamentos e benefícios ligados a acidentes de trabalho. Quanto menor for a taxa de acidentalidade da empresa, menor tende a ser o FAP, e, consequentemente, os custos.

Resumindo, o FAP acaba funcionando como um incentivo à segurança do trabalho, porque as empresas que investem em ambientes mais seguros podem reduzir esse índice e economizar, ao mesmo tempo em que protegem seus colaboradores.

Quais fatores influenciam o FAP?

O Fator Acidentário de Prevenção é influenciado por dados que refletem o histórico de saúde e segurança da empresa. Em outras palavras, ele considera a acidentalidade, a gravidade dos casos e o impacto financeiro que os acidentes geram para a Previdência.

Abaixo, explicamos melhor os principais fatores que influenciam o índice:

  • acidentalidade: número de acidentes de trabalho e afastamentos registrados na empresa. Quanto maior a acidentalidade, maior tende a ser o FAP;
  • gravidade dos casos: tempo de afastamento dos colaboradores e se houve concessão de benefícios acidentários, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez;
  • custo para a Previdência: valores pagos pelo INSS decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais;
  • frequência: reincidência de acidentes em um mesmo período;
  • indicadores de segurança do trabalho: ações preventivas, investimentos em saúde ocupacional e iniciativas que reduzam riscos no ambiente de trabalho podem ajudar a melhorar o índice da empresa.

Como calcular o FAP?

Agora que você já conhece os fatores que influenciam o índice, é hora de entender como o cálculo funciona. O Decreto 6.042/2007 determina que o FAP seja aplicado todos os anos, compondo as obrigações previdenciárias das empresas junto ao INSS.

Para chegar ao valor final, três critérios principais são avaliados:

  • Frequência: número de acidentes de trabalho registrados;
  • Gravidade: tempo de afastamento e o impacto gerado ao trabalhador;
  • Custo: despesas assumidas pela Previdência em decorrência dos acidentes ou doenças ocupacionais.

Além disso, entram no cálculo registros como benefícios B91 e B94, Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), remunerações e expectativa de vida dos beneficiários.

A fórmula utilizada é simples de entender:

RAT (1%, 2% ou 3%) x FAP atribuído à empresa = percentual aplicado sobre a folha de pagamento

Para você entender melhor, veja um exemplo prático: se a alíquota RAT da empresa for de 2% e o FAP atribuído for de 1,5, o valor final será de 3% da folha de pagamento destinado ao financiamento da Previdência.

Apesar de parecer simples, o cálculo do Fator Acidentário de Prevenção envolve cruzamento de dados previdenciários e registros detalhados, isso exige bastante cuidado e pessoas especializadas para realizá-lo.

Quando e como contestar o FAP 2025?

A contestação do FAP é a oportunidade que a empresa tem de revisar o índice atribuído pela Previdência quando identifica dados incorretos. Isso inclui benefícios lançados equivocadamente, registros de acidentes que não pertencem ao CNPJ ou CATs indevidas.

Esse processo é feito por meio de um pedido administrativo ao Ministério da Previdência Social. O órgão analisa as informações e, caso identifique divergências, pode ajustar o valor do Fator Acidentário de Prevenção da empresa.

O prazo, no entanto, é curto. São apenas 30 dias após a divulgação da portaria para apresentar a contestação. Por isso, manter documentos atualizados, como CATs, laudos médicos e relatórios internos, faz toda a diferença na hora de comprovar o pedido.

Para o ciclo de 2025, o prazo já foi encerrado. As empresas tiveram até 30 de novembro de 2024 para solicitar a revisão, então quem perdeu a data não pode mais alterar o índice atual, mas pode se organizar melhor para o próximo ano.

No próximo tópico, vamos mostrar, passo a passo, como fazer essa contestação!

Como fazer a contestação do FAP?

Todo o processo de contestação do FAP é feito de forma eletrônica, dentro do sistema oficial da Previdência. Conforme o próprio gov.br orienta, o passo a passo é simples:

  1. Acesse a página oficial do Fator Acidentário de Prevenção: fap.dataprev.gov.br
  2. Faça o login utilizando sua conta gov.br com certificado digital
  3. Dentro do sistema, selecione a opção “Contestação Eletrônica”
  4. Informe o estabelecimento (CNPJ) e escolha o motivo da contestação
  5. Anexe os documentos que comprovam a inconsistência, como CATs, laudos médicos e relatórios internos
  6. Confirme o envio e guarde o protocolo gerado

Quais os principais impactos do FAP nas empresas?

O FAP impacta diretamente os custos das organizações, ele funciona como um reflexo da gestão de saúde e segurança no ambiente de trabalho, influenciando tanto as finanças quanto a reputação da empresa.

Entre os principais impactos, podemos destacar:

Custo da folha de pagamento

O principal impacto do Fator Acidentário de Prevenção aparece na folha de pagamento. Isso porque, como já falamos, o índice funciona como um multiplicador da alíquota do RAT, podendo reduzir o valor pela metade (0,5) ou até dobrá-lo (2)

Na prática, significa que:

  • FAP alto aumenta a contribuição previdenciária da empresa;
  • FAP baixo representa economia.

Esse custo não é pequeno, aplicado sobre toda a folha, ele pode comprometer o orçamento e impactar diretamente a competitividade do negócio

Risco de multas e autuações

Um dos impactos mais preocupantes do FAP é a possibilidade de multas. Quando a empresa não cumpre suas obrigações corretamente, seja por erros de cálculo, atrasos no pagamento ou informações inconsistentes, ela pode sofrer autuações da Previdência

A chamada multa FAP representa um peso extra para o orçamento e pode gerar passivos trabalhistas e previdenciários difíceis de reverter. 

Necessidade de compliance previdenciário

O Fator Acidentário de Prevenção exige que a empresa mantenha atenção constante ao compliance previdenciário. Isso significa seguir as regras da Previdência e garantir que todas as informações sejam transmitidas de forma correta e no prazo.

Na prática, isso envolve:

  • cumprir prazos definidos pela legislação;
  • apresentar dados corretos no eSocial e em outros sistemas oficiais;
  • registrar informações de forma transparente e organizada;
  • documentar processos internos, garantindo consistência em caso de auditoria.

Quando há falhas nesses pontos, o risco de autuações aumenta e a credibilidade da empresa fica comprometida. 

Uso de indicadores de segurança do trabalho

O FAP também reflete a qualidade da gestão de segurança dentro da empresa. Por isso, acompanhar indicadores de segurança do trabalho é importante para entender riscos e direcionar investimentos. Entre os mais relevantes estão:

  • número de acidentes registrados no período;
  • quantidade de afastamentos relacionados ao trabalho;
  • tempo médio de recuperação dos colaboradores.

Quando esses dados são monitorados com regularidade, permitem reduzir a acidentalidade, manter o índice do FAP em níveis mais baixos e reforçar a cultura de cuidado com os colaboradores.

Imagem e reputação da empresa

Por fim, é necessário ressaltar que o impacto do Fator Acidentário de Prevenção não se limita ao financeiro. Empresas com altos índices de acidentalidade passam a imagem de descuido com a saúde e segurança de seus times

Isso afeta a marca empregadora, reduz a atratividade de talentos e pode comprometer relações com clientes e parceiros.

Já quando a organização mostra compromisso com a prevenção de acidentes de trabalho, transmite confiança, reforça sua reputação no mercado e ainda se destaca como um lugar melhor para trabalhar.

Como descobrir o FAP da sua empresa?

Dia Nacional da Prevenção de Acidentes de TrabalhoDia Nacional da Prevenção de Acidentes de Trabalho

Assim como acontece na contestação do FAP, a consulta do índice também é feita de forma eletrônica, pelo sistema oficial da Previdência. O processo é simples e rápido:

  1. Acesse a página oficial do FAP no site fap.dataprev.gov.br.
  2. Faça login com sua conta gov.br utilizando certificado digital.
  3. Na tela inicial, selecione a opção “Consultar FAP”.
  4. Escolha o ano de vigência que deseja analisar.
  5. Visualize o índice atribuído à empresa e os dados utilizados no cálculo.

É importante lembrar que o cálculo do FAP sempre considera os dois anos anteriores de histórico de acidentalidade e de registros da Previdência Social. Por isso, o índice pode variar de um ciclo para outro, refletindo diretamente a realidade de cada empresa.

FAP, RAT e SAT: qual a diferença?

Até aqui, você já entendeu que o FAP é o índice que ajusta os custos da empresa conforme o histórico de acidentalidade. O que pode gerar dúvidas é a relação dele com o RAT e o SAT.

O Risco Ambiental do Trabalho, ou SAT, é a contribuição previdenciária que toda empresa precisa recolher para financiar benefícios pagos a trabalhadores em caso de acidente ou doença ocupacional

Nesse caso, a alíquota varia de 1%, 2% ou 3%, conforme o grau de risco da atividade econômica.

Já o Seguro de Acidente de Trabalho, ou SAT, é apenas a antiga denominação dessa mesma contribuição. Hoje, quando se fala em RAT x SAT, estamos tratando da mesma obrigação, só que com nomes diferentes.

A diferença mesmo está justamente no papel do FAP. Enquanto o RAT estabelece a base da contribuição, o FAP funciona como um multiplicador que pode reduzir esse valor pela metade ou dobrá-lo. 

Assim, o índice é o que torna a contribuição variável de acordo com o desempenho da empresa em segurança e saúde do trabalho.

Como o FAP e o RAT impactam o eSocial? 

O eSocial é a plataforma do governo que centraliza obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais das empresas. Entre essas informações estão o RAT e o FAP, que definem a alíquota usada para calcular as contribuições em casos de acidentes de trabalho.

Na prática, o sistema cruza o valor do RAT com o multiplicador do FAP para ajustar automaticamente a contribuição da empresa. Se os dados não estiverem corretos, podem aparecer erros de processamento e o fechamento da folha fica comprometido.

A partir desse ano, as informações passaram a ser importadas diretamente do FAPWeb (Dataprev), sem necessidade de lançamento manual. 

Isso simplifica o processo, mas também exige atenção redobrada, qualquer inconsistência deve ser corrigida antes do fechamento para evitar retrabalho e riscos de não conformidade.

Como reduzir o número de acidentes do trabalho?

Diminuir acidentes não depende apenas de equipamentos de proteção, mas de uma estratégia completa que envolve treinamento, monitoramento e cultura organizacional

Nos próximos tópicos, vamos mostrar ações práticas que ajudam a prevenir riscos no dia a dia da empresa. Confira!

1. Conscientize os colaboradores sobre segurança

A conscientização é importante para reduzir riscos no ambiente de trabalho. Só entre 2012 e 2024, foram 8,8 milhões de acidentes e 32 mil mortes no emprego formal no Brasil, segundo Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho da plataforma.

Por isso, campanhas educativas, treinamentos e o estímulo ao uso correto de EPIs fazem diferença. Quando os colaboradores entendem o impacto de suas atitudes, a cultura de prevenção se fortalece e o FAP se mantém equilibrado.

2. Monitore a taxa de frequência de acidentes

A taxa de frequência indica quantos acidentes acontecem em relação ao número de trabalhadores. Para o Departamento Pessoal, esse índice é um termômetro da segurança na empresa e quanto mais alta a taxa, maior será o impacto no FAP.

Manter esse indicador sob controle exige:

  • registrar todos os acidentes
  • analisar causas 
  • acompanhar a evolução ao longo dos meses. 

Assim, você consegue identificar setores mais vulneráveis, propor treinamentos específicos e reforçar medidas de prevenção, reduzindo ocorrências futuras.

3. Promova saúde e assistência aos trabalhadores

Cuidar da saúde dos colaboradores é uma das formas mais eficazes de reduzir acidentes e afastamentos. Esse cuidado deve ser parte da estratégia do Departamento Pessoal, integrando diferentes ações que atuam de forma preventiva e corretiva, como:

  • implantar programas de saúde ocupacional: esses programas ajudam a prevenir doenças relacionadas ao trabalho e monitoram as condições físicas e mentais dos colaboradores;
  • realizar exames periódicos: check-ups regulares permitem diagnosticar problemas de forma precoce, reduzindo o impacto na rotina da empresa. Além disso, oferecem segurança ao trabalhador, que percebe a preocupação da organização com seu bem-estar;
  • investir em ergonomia, ginástica laboral e campanhas de bem-estar: ajustes ergonômicos nos postos de trabalho, atividades físicas guiadas e ações educativas evitam doenças ocupacionais, como lesões por esforço repetitivo;
  • oferecer assistência médica acessível ou planos corporativos: garantir suporte rápido e acesso a planos de saúde ou convênios médicos evita complicações e contribui para um retorno mais ágil ao trabalho.

4. Invista em treinamentos especializados

Treinamentos de segurança são uma das formas mais práticas de reduzir acidentes. Eles preparam os colaboradores para agir corretamente em situações de risco, evitam falhas simples e fortalecem a cultura de prevenção.

O Departamento Pessoal pode organizar capacitações periódicas sobre uso de EPIs, procedimentos de emergência e boas práticas de saúde e segurança. Simulações e palestras também ajudam a fixar o aprendizado.

FAQ

O que é Fator Acidentário de Prevenção (FAP)?

O FAP é um índice anual que varia de 0,5 a 2 e ajusta a alíquota do RAT. Ele considera o histórico de acidentalidade da empresa, podendo reduzir ou aumentar a contribuição previdenciária ligada a acidentes de trabalho.

Qual alíquota FAP devo usar?

A alíquota do FAP atribuída à empresa deve ser consultada anualmente no portal oficial da Dataprev. Esse índice varia e é aplicado sobre o RAT, definindo quanto a organização vai recolher em contribuições.

Quando o FAP é alterado?

O FAP é atualizado todos os anos pela Previdência, sempre com base nos dois últimos anos de acidentalidade da empresa. O índice passa a valer a partir de janeiro do ano seguinte à divulgação da portaria oficial.

Qual o conceito de FAP?

O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) ajusta a contribuição das empresas de acordo com sua performance em saúde e segurança do trabalho. Ele recompensa organizações com baixa acidentalidade e penaliza aquelas com maior número e gravidade de ocorrências.

O que compõe o FAP?

O cálculo do FAP considera frequência, gravidade e custo dos acidentes, além de registros como CATs, benefícios acidentários (B91 e B94), remunerações e expectativa de vida dos beneficiários. Esses fatores definem se a empresa terá índice menor ou maior.

Torne seu ambiente de trabalho mais seguro

O FAP mostra que cada detalhe conta quando o assunto é segurança: desde a prevenção de acidentes até a forma como sua empresa organiza processos e acompanha indicadores. 

Investir em saúde, treinamentos e cultura de prevenção reduz custos, fortalece a credibilidade e garante mais tranquilidade na gestão.

E se você quer aprofundar seu conhecimento para aplicar na prática, a Sólides preparou um guia completo sobre Normas Regulamentadoras!

Artigo originalmente publicado por Távira Magalhães em
2025-09-08 16:46:00 no site

Blog Sólides | Os melhores conteúdos sobre gestão de pessoas
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Fonte: solides.com.br

Você sabe qual é o impacto real do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) na sua empresa? Em 2024, o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho e mais de 60% desses casos geraram afastamentos de até 15 dias.

A verdade é que o FAP pode tanto aumentar os custos da folha, quanto se tornar uma oportunidade para fortalecer a gestão de riscos. Neste artigo, vamos simplificar tudo sobre ele, como é calculado e como usar a prevenção de acidentes a favor do seu negócio. Boa leitura!

O que é o Fator Acidentário de Prevenção (FAP)?

O Fator Acidentário de Prevenção, também conhecido como FAP, é um índice utilizado para ajustar os custos que as empresas pagam relacionados a acidentes e doenças ocupacionais

Ele funciona como um multiplicador que varia de 0,5 a 2, aplicado sobre a alíquota do Risco Ambiental do Trabalho (RAT). Mas, na prática, o resultado dessa multiplicação define o valor que a empresa deve recolher ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS)

Esse recurso serve para cobrir despesas da Previdência com afastamentos e benefícios ligados a acidentes de trabalho. Quanto menor for a taxa de acidentalidade da empresa, menor tende a ser o FAP, e, consequentemente, os custos.

Resumindo, o FAP acaba funcionando como um incentivo à segurança do trabalho, porque as empresas que investem em ambientes mais seguros podem reduzir esse índice e economizar, ao mesmo tempo em que protegem seus colaboradores.

Quais fatores influenciam o FAP?

O Fator Acidentário de Prevenção é influenciado por dados que refletem o histórico de saúde e segurança da empresa. Em outras palavras, ele considera a acidentalidade, a gravidade dos casos e o impacto financeiro que os acidentes geram para a Previdência.

Abaixo, explicamos melhor os principais fatores que influenciam o índice:

  • acidentalidade: número de acidentes de trabalho e afastamentos registrados na empresa. Quanto maior a acidentalidade, maior tende a ser o FAP;
  • gravidade dos casos: tempo de afastamento dos colaboradores e se houve concessão de benefícios acidentários, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez;
  • custo para a Previdência: valores pagos pelo INSS decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais;
  • frequência: reincidência de acidentes em um mesmo período;
  • indicadores de segurança do trabalho: ações preventivas, investimentos em saúde ocupacional e iniciativas que reduzam riscos no ambiente de trabalho podem ajudar a melhorar o índice da empresa.

Como calcular o FAP?

Agora que você já conhece os fatores que influenciam o índice, é hora de entender como o cálculo funciona. O Decreto 6.042/2007 determina que o FAP seja aplicado todos os anos, compondo as obrigações previdenciárias das empresas junto ao INSS.

Para chegar ao valor final, três critérios principais são avaliados:

  • Frequência: número de acidentes de trabalho registrados;
  • Gravidade: tempo de afastamento e o impacto gerado ao trabalhador;
  • Custo: despesas assumidas pela Previdência em decorrência dos acidentes ou doenças ocupacionais.

Além disso, entram no cálculo registros como benefícios B91 e B94, Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), remunerações e expectativa de vida dos beneficiários.

A fórmula utilizada é simples de entender:

RAT (1%, 2% ou 3%) x FAP atribuído à empresa = percentual aplicado sobre a folha de pagamento

Para você entender melhor, veja um exemplo prático: se a alíquota RAT da empresa for de 2% e o FAP atribuído for de 1,5, o valor final será de 3% da folha de pagamento destinado ao financiamento da Previdência.

Apesar de parecer simples, o cálculo do Fator Acidentário de Prevenção envolve cruzamento de dados previdenciários e registros detalhados, isso exige bastante cuidado e pessoas especializadas para realizá-lo.

Quando e como contestar o FAP 2025?

A contestação do FAP é a oportunidade que a empresa tem de revisar o índice atribuído pela Previdência quando identifica dados incorretos. Isso inclui benefícios lançados equivocadamente, registros de acidentes que não pertencem ao CNPJ ou CATs indevidas.

Esse processo é feito por meio de um pedido administrativo ao Ministério da Previdência Social. O órgão analisa as informações e, caso identifique divergências, pode ajustar o valor do Fator Acidentário de Prevenção da empresa.

O prazo, no entanto, é curto. São apenas 30 dias após a divulgação da portaria para apresentar a contestação. Por isso, manter documentos atualizados, como CATs, laudos médicos e relatórios internos, faz toda a diferença na hora de comprovar o pedido.

Para o ciclo de 2025, o prazo já foi encerrado. As empresas tiveram até 30 de novembro de 2024 para solicitar a revisão, então quem perdeu a data não pode mais alterar o índice atual, mas pode se organizar melhor para o próximo ano.

No próximo tópico, vamos mostrar, passo a passo, como fazer essa contestação!

Como fazer a contestação do FAP?

Todo o processo de contestação do FAP é feito de forma eletrônica, dentro do sistema oficial da Previdência. Conforme o próprio gov.br orienta, o passo a passo é simples:

  1. Acesse a página oficial do Fator Acidentário de Prevenção: fap.dataprev.gov.br
  2. Faça o login utilizando sua conta gov.br com certificado digital
  3. Dentro do sistema, selecione a opção “Contestação Eletrônica”
  4. Informe o estabelecimento (CNPJ) e escolha o motivo da contestação
  5. Anexe os documentos que comprovam a inconsistência, como CATs, laudos médicos e relatórios internos
  6. Confirme o envio e guarde o protocolo gerado

Quais os principais impactos do FAP nas empresas?

O FAP impacta diretamente os custos das organizações, ele funciona como um reflexo da gestão de saúde e segurança no ambiente de trabalho, influenciando tanto as finanças quanto a reputação da empresa.

Entre os principais impactos, podemos destacar:

Custo da folha de pagamento

O principal impacto do Fator Acidentário de Prevenção aparece na folha de pagamento. Isso porque, como já falamos, o índice funciona como um multiplicador da alíquota do RAT, podendo reduzir o valor pela metade (0,5) ou até dobrá-lo (2)

Na prática, significa que:

  • FAP alto aumenta a contribuição previdenciária da empresa;
  • FAP baixo representa economia.

Esse custo não é pequeno, aplicado sobre toda a folha, ele pode comprometer o orçamento e impactar diretamente a competitividade do negócio

Risco de multas e autuações

Um dos impactos mais preocupantes do FAP é a possibilidade de multas. Quando a empresa não cumpre suas obrigações corretamente, seja por erros de cálculo, atrasos no pagamento ou informações inconsistentes, ela pode sofrer autuações da Previdência

A chamada multa FAP representa um peso extra para o orçamento e pode gerar passivos trabalhistas e previdenciários difíceis de reverter. 

Necessidade de compliance previdenciário

O Fator Acidentário de Prevenção exige que a empresa mantenha atenção constante ao compliance previdenciário. Isso significa seguir as regras da Previdência e garantir que todas as informações sejam transmitidas de forma correta e no prazo.

Na prática, isso envolve:

  • cumprir prazos definidos pela legislação;
  • apresentar dados corretos no eSocial e em outros sistemas oficiais;
  • registrar informações de forma transparente e organizada;
  • documentar processos internos, garantindo consistência em caso de auditoria.

Quando há falhas nesses pontos, o risco de autuações aumenta e a credibilidade da empresa fica comprometida. 

Uso de indicadores de segurança do trabalho

O FAP também reflete a qualidade da gestão de segurança dentro da empresa. Por isso, acompanhar indicadores de segurança do trabalho é importante para entender riscos e direcionar investimentos. Entre os mais relevantes estão:

  • número de acidentes registrados no período;
  • quantidade de afastamentos relacionados ao trabalho;
  • tempo médio de recuperação dos colaboradores.

Quando esses dados são monitorados com regularidade, permitem reduzir a acidentalidade, manter o índice do FAP em níveis mais baixos e reforçar a cultura de cuidado com os colaboradores.

Imagem e reputação da empresa

Por fim, é necessário ressaltar que o impacto do Fator Acidentário de Prevenção não se limita ao financeiro. Empresas com altos índices de acidentalidade passam a imagem de descuido com a saúde e segurança de seus times

Isso afeta a marca empregadora, reduz a atratividade de talentos e pode comprometer relações com clientes e parceiros.

Já quando a organização mostra compromisso com a prevenção de acidentes de trabalho, transmite confiança, reforça sua reputação no mercado e ainda se destaca como um lugar melhor para trabalhar.

Como descobrir o FAP da sua empresa?

Dia Nacional da Prevenção de Acidentes de TrabalhoDia Nacional da Prevenção de Acidentes de Trabalho

Assim como acontece na contestação do FAP, a consulta do índice também é feita de forma eletrônica, pelo sistema oficial da Previdência. O processo é simples e rápido:

  1. Acesse a página oficial do FAP no site fap.dataprev.gov.br.
  2. Faça login com sua conta gov.br utilizando certificado digital.
  3. Na tela inicial, selecione a opção “Consultar FAP”.
  4. Escolha o ano de vigência que deseja analisar.
  5. Visualize o índice atribuído à empresa e os dados utilizados no cálculo.

É importante lembrar que o cálculo do FAP sempre considera os dois anos anteriores de histórico de acidentalidade e de registros da Previdência Social. Por isso, o índice pode variar de um ciclo para outro, refletindo diretamente a realidade de cada empresa.

FAP, RAT e SAT: qual a diferença?

Até aqui, você já entendeu que o FAP é o índice que ajusta os custos da empresa conforme o histórico de acidentalidade. O que pode gerar dúvidas é a relação dele com o RAT e o SAT.

O Risco Ambiental do Trabalho, ou SAT, é a contribuição previdenciária que toda empresa precisa recolher para financiar benefícios pagos a trabalhadores em caso de acidente ou doença ocupacional

Nesse caso, a alíquota varia de 1%, 2% ou 3%, conforme o grau de risco da atividade econômica.

Já o Seguro de Acidente de Trabalho, ou SAT, é apenas a antiga denominação dessa mesma contribuição. Hoje, quando se fala em RAT x SAT, estamos tratando da mesma obrigação, só que com nomes diferentes.

A diferença mesmo está justamente no papel do FAP. Enquanto o RAT estabelece a base da contribuição, o FAP funciona como um multiplicador que pode reduzir esse valor pela metade ou dobrá-lo. 

Assim, o índice é o que torna a contribuição variável de acordo com o desempenho da empresa em segurança e saúde do trabalho.

Como o FAP e o RAT impactam o eSocial? 

O eSocial é a plataforma do governo que centraliza obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais das empresas. Entre essas informações estão o RAT e o FAP, que definem a alíquota usada para calcular as contribuições em casos de acidentes de trabalho.

Na prática, o sistema cruza o valor do RAT com o multiplicador do FAP para ajustar automaticamente a contribuição da empresa. Se os dados não estiverem corretos, podem aparecer erros de processamento e o fechamento da folha fica comprometido.

A partir desse ano, as informações passaram a ser importadas diretamente do FAPWeb (Dataprev), sem necessidade de lançamento manual. 

Isso simplifica o processo, mas também exige atenção redobrada, qualquer inconsistência deve ser corrigida antes do fechamento para evitar retrabalho e riscos de não conformidade.

Como reduzir o número de acidentes do trabalho?

Diminuir acidentes não depende apenas de equipamentos de proteção, mas de uma estratégia completa que envolve treinamento, monitoramento e cultura organizacional

Nos próximos tópicos, vamos mostrar ações práticas que ajudam a prevenir riscos no dia a dia da empresa. Confira!

1. Conscientize os colaboradores sobre segurança

A conscientização é importante para reduzir riscos no ambiente de trabalho. Só entre 2012 e 2024, foram 8,8 milhões de acidentes e 32 mil mortes no emprego formal no Brasil, segundo Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho da plataforma.

Por isso, campanhas educativas, treinamentos e o estímulo ao uso correto de EPIs fazem diferença. Quando os colaboradores entendem o impacto de suas atitudes, a cultura de prevenção se fortalece e o FAP se mantém equilibrado.

2. Monitore a taxa de frequência de acidentes

A taxa de frequência indica quantos acidentes acontecem em relação ao número de trabalhadores. Para o Departamento Pessoal, esse índice é um termômetro da segurança na empresa e quanto mais alta a taxa, maior será o impacto no FAP.

Manter esse indicador sob controle exige:

  • registrar todos os acidentes
  • analisar causas 
  • acompanhar a evolução ao longo dos meses. 

Assim, você consegue identificar setores mais vulneráveis, propor treinamentos específicos e reforçar medidas de prevenção, reduzindo ocorrências futuras.

3. Promova saúde e assistência aos trabalhadores

Cuidar da saúde dos colaboradores é uma das formas mais eficazes de reduzir acidentes e afastamentos. Esse cuidado deve ser parte da estratégia do Departamento Pessoal, integrando diferentes ações que atuam de forma preventiva e corretiva, como:

  • implantar programas de saúde ocupacional: esses programas ajudam a prevenir doenças relacionadas ao trabalho e monitoram as condições físicas e mentais dos colaboradores;
  • realizar exames periódicos: check-ups regulares permitem diagnosticar problemas de forma precoce, reduzindo o impacto na rotina da empresa. Além disso, oferecem segurança ao trabalhador, que percebe a preocupação da organização com seu bem-estar;
  • investir em ergonomia, ginástica laboral e campanhas de bem-estar: ajustes ergonômicos nos postos de trabalho, atividades físicas guiadas e ações educativas evitam doenças ocupacionais, como lesões por esforço repetitivo;
  • oferecer assistência médica acessível ou planos corporativos: garantir suporte rápido e acesso a planos de saúde ou convênios médicos evita complicações e contribui para um retorno mais ágil ao trabalho.

4. Invista em treinamentos especializados

Treinamentos de segurança são uma das formas mais práticas de reduzir acidentes. Eles preparam os colaboradores para agir corretamente em situações de risco, evitam falhas simples e fortalecem a cultura de prevenção.

O Departamento Pessoal pode organizar capacitações periódicas sobre uso de EPIs, procedimentos de emergência e boas práticas de saúde e segurança. Simulações e palestras também ajudam a fixar o aprendizado.

FAQ

O que é Fator Acidentário de Prevenção (FAP)?

O FAP é um índice anual que varia de 0,5 a 2 e ajusta a alíquota do RAT. Ele considera o histórico de acidentalidade da empresa, podendo reduzir ou aumentar a contribuição previdenciária ligada a acidentes de trabalho.

Qual alíquota FAP devo usar?

A alíquota do FAP atribuída à empresa deve ser consultada anualmente no portal oficial da Dataprev. Esse índice varia e é aplicado sobre o RAT, definindo quanto a organização vai recolher em contribuições.

Quando o FAP é alterado?

O FAP é atualizado todos os anos pela Previdência, sempre com base nos dois últimos anos de acidentalidade da empresa. O índice passa a valer a partir de janeiro do ano seguinte à divulgação da portaria oficial.

Qual o conceito de FAP?

O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) ajusta a contribuição das empresas de acordo com sua performance em saúde e segurança do trabalho. Ele recompensa organizações com baixa acidentalidade e penaliza aquelas com maior número e gravidade de ocorrências.

O que compõe o FAP?

O cálculo do FAP considera frequência, gravidade e custo dos acidentes, além de registros como CATs, benefícios acidentários (B91 e B94), remunerações e expectativa de vida dos beneficiários. Esses fatores definem se a empresa terá índice menor ou maior.

Torne seu ambiente de trabalho mais seguro

O FAP mostra que cada detalhe conta quando o assunto é segurança: desde a prevenção de acidentes até a forma como sua empresa organiza processos e acompanha indicadores. 

Investir em saúde, treinamentos e cultura de prevenção reduz custos, fortalece a credibilidade e garante mais tranquilidade na gestão.

E se você quer aprofundar seu conhecimento para aplicar na prática, a Sólides preparou um guia completo sobre Normas Regulamentadoras!

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